Além do pavor de serem presos, a famiglia Bolsonaro ainda está curtindo uma grande dor de cotovelo pela derrota para Lula nas eleições presidenciais. Carlos e Eduardo, 02 e 03, respectivamente, além do chefe do clã, é claro, todos os dias vão às redes sociais num chororô infindável. Agora que Lula está na Argentina, os três insistem no déjà-vu da temática “Brasil vai virar a Venezuela… Porque Cuba. E Nicarágua”. Nem os seguidores mais fiéis se sensibilizam com esse arrastado e monótono enredo. Esse lero-lero é também para desviar a atenção para pautas como a situação de indigência em que deixaram o povo yanomami, os extravagantes e descabidos gastos no cartão corporativo, o financiamento com dinheiro público das motociatas, o quebra-quebra em Brasília… todo santo dia a denúncia de um crime. Não tem fim. No fundo do poço tem um alçapão.
PSDB tenta não sumir do mapa político
O PSDB, que já chegou a ter as maiores bancadas na Câmara e no Senado, que já ocupou a presidência da República por dois mandatos, tenta, agora, depois das eleições, sobreviver no cenário político brasileiro. O partido iniciou uma campanha meio “pobrinha” para tentar reconquistar um lugar ao sol. Mas como tudo dentro do PSDB, uns fazem, outros desfazem. Foi assim que o partido quase foi à lona. A campanha estrelada pelos governadores Eduardo Leite (RS), Eduardo Riedel (MS), Raquel Lyra (PE) e ainda por Bruno Araújo, presidente do partido, está sendo amplamente criticada pela bancada federal. Os parlamentares, quatro senadores e treze deputados, não foram lembrados nos vídeos e nos outros materiais divulgados. Como sempre, as brigas e os interesses pessoais falam mais alto. Nem a lição das últimas eleições serve de exemplo para arrefecer os egos enormes que povoam o PSDB.
Modificações no comando do Exército
O novo comandante do Exército, o general de Exército Tomás Ribeiro Paiva, vai provocar alterações sensíveis no comando da corporação. Na reunião de ontem no alto comando, ele foi claro na defesa da democracia. Com a ascensão dele ao comando do Exército sai o chamado número dois, que é chefe do estado-maior da companhia, o general Valério Stumpf, já que é mais antigo do que o novo comandante. Com isso, o ministro da Defesa, José Múcio, vai começar a nomear os novos comandantes das unidades mais importantes do Exército. Vêm novidades por aí.
Gil estreou um belo programa ontem no Canal Brasil
A terceira temporada de “Amigos, Sons e Palavras” estreou ontem no Canal Brasil que vai ter três episódios inéditos. No comando o mestre Gilberto Gil que através de papos íntimos, muita descontração, mas jamais frivoles, vai ser uma bela opção nas noites de segunda-feira. Glória Pires, Hermano Vianna e Marcelo Adnet, além de Fernanda Montenegro, que ontem estreou, são as conversas de Gil. O programa é dirigido por Patrícia Guimarães e Letícia Muhana, uma carioca, nascida no Rio de Janeiro, mas baiana de coração, que foi uma das maiores revelações da televisão brasileira. Fez de tudo nela e hoje é o nome respeitável quando dirige qualquer programa.
Na mosca: ditador da Venezuela não pode sair do país
Quando da posse do presidente Lula, este blog antecipou que o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, não viria porque os Estados Unidos oferecem US$15 milhões a quem prender ele. Não houve nenhuma negativa. Agora, Maduro anunciou que iria à Argentina ontem e lá não apareceu. É preciso que o governo brasileiro vá fundo nesse assunto para não ficar decepcionado. Maduro é acusado inclusive de narcotraficante pela maior nação do mundo.
Yanomami, o desleixo de um país
Milhares de brasileiros ficaram estupefatos, sacudidos em seus brios, pasmos de desinformação diante das imagens reveladas ao Brasil e ao mundo, dos indígenas Yanomami que vivem em Roraima, mas também em outros territórios Amazônicos. A revelação de que o indígena mostrado na foto morrera um dia depois da publicação, emocionou às lágrimas quem viu as imagens. O professor Dilson Cunha escreveu: a semelhança entre o Cristo Morto, de Holbein, e o indígena Yanomami não é mera coincidência. Ambos estão despidos de suas humanidades, bem como de suas divindades. Ambos trazem no semblante a dor do abandono. Ambos cadavéricos e rígidos, estão carregados de sofrimento e putrefação. Ambos, insepultos. As imagens vão ficar martelando em nossas cabeças como um filme de terror.
Damares levou o Brasil a uma crise humanitária?
São quase inúteis as tentativas da ex-ministra Damares Alves de justificar o injustificável. A responsabilidade de proteção aos indígenas estava sob sua guarda. Ela ditava e solicitava apoio aos outros ministérios. Para quem se jactava de “amiga” dos indígenas no Brasil, descortinou-se agora, aos olhos do mundo, sua comprovada displicência, seu desprezo e sua incapacidade de ação junto aos povos originários. A tragédia Yanomami não teve início agora. Se perpetua historicamente. Mas ganhou proporções inimagináveis ao permitir a exploração de suas terras por fazendeiros, ao abrir os garimpos ilegais naquelas terras, e ao fazer ouvidos moucos aos mais de 20 documentos encaminhados ao governo federal e à ministra com pedidos de socorro. Não dá mais para esconder o retrato dividido agora com o mundo inteiro.
Oito de janeiro ainda vai longe
Embora as investigações tenham avançado, prisões tenham sido feitas, generais afastados de seus comandos, ex-ministro preso, governador substituído, o certo é que o que de fato aconteceu durante as invasões e quebradeiras nos prédios das instituições no dia 8 de janeiro está longe de ser decifrado. A cada dia novas situações aumentam as lacunas ainda obscuras. A principal é comprovar de forma inquestionável a participação e não apenas a influência de Bolsonaro nas ações dos vândalos. E o leque vai se abrindo para o papel das Forças Armadas que ganhou a desconfiança do presidente Lula, como serão encaminhados os inquéritos de mais de 1.200 presos, e outros ainda cujos mandados estão sendo expedidos, e cereja do bolo, perseguida pelo ministro do STF Alexandre de Moraes: quem pagou? Todos os questionamentos estão num novelo difícil de desfiar.
Um exemplo a ser seguido
Daqui a um mês, exatamente no dia 23 de fevereiro, a Espanha vai comemorar os 42 anos de um golpe de estado militar fracassado. A festa é uma espécie de celebração da unidade de militares e civis em defesa da Constituição. A tentativa de golpe abriu o caminho para a consolidação da Democracia depois de um longo período de ditadura fascista (1939-1975) e deu início a uma profunda reforma do Exército que, desde a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), era a base de sustentação de um regime o autoritário, comandado pelo “generalíssimo” Francisco Franco. Os espanhóis mantêm viva a imagem do tenente-coronel Antonio Tejero, com uma arma na mão, atacando o Congresso dos Deputados, na de 23 de fevereiro de 1981; à frente de um grupo de militares inconformados com as mudanças, iniciadas um ano antes com a morte de Franco. A reação foi rápida e os insurgentes dominados e presos. Com “o filme queimado” e a pecha de golpistas, as forças armadas foram obrigadas a abandonar definitivamente o intervencionismo, aceitaram mudanças na formação de seu pessoal, principalmente oficiais; e se abriram para novas funções, como as missões internacionais de paz e a proteção civil. A Espanha é hoje uma das mais sólidas democracias do mundo e suas forças armadas reverenciadas pela excelência profissional e consciência do seu papel institucional.
Chumbo grosso
Um imigrante chinês, de 72 anos, matou dez pessoas e feriu pelo menos mais dez, no último fim de semana, num salão de bailes na cidade de Monterey Park, de 60 mil habitantes, no sul de Los Angeles, Califórnia. A cidade é conhecida por reunir uma significativa colônia chinesa. Os imigrantes e descendentes celebravam o Ano Novo Solar. Depois do massacre, Huu Can Tan, que usou uma pistola automática; se dirigiu para outro salão de bailes, no entanto, foi desarmado por civis, mas conseguiu fugir. Localizado pela polícia, num estacionamento, se suicidou. Em entrevista ao New York Times, o xerife Robert Luna afirmou que “a violência armada precisa ser contida nos EUA”. Ainda segundo Luna, esse tipo de crime, que se tornou comum nos EUA, é raro em outros países desenvolvidos, “Os EUA têm uma quantidade incrível de armas, o que facilita casos como esse”. Enquanto isso, durante o governo Bolsonaro, o Brasil bateu recordes de inaugurações de clubes de tiro, ao ritmo alucinante de quase um por dia. Em 2021, foram 348. Os dados de 2022 ainda não foram consolidados. Entre 2003 e 2017, o Exército, responsável pelas licenças, emitiu uma média de 70 autorizações por ano. A indústria armamentista tem investido na eleição de seus representantes e já pode ser considerada uma força política. Segundo levantamento do Instituto Sou da Paz, nas últimas eleições, foram eleitos 56 deputados estaduais, um distrital, 44 federais e dois senadores da chamada “Bancada da Bala”.
Caciques do governo da Bahia
O João Durval original, que governou a Bahia de 1983 a 1987, possui pelo menos uma vantagem em relação ao João Durval versão 2.0., nome como o governador Jerônimo Rodrigues vem sendo chamado nos corredores da Assembleia Legislativa e em alguns gabinetes do CAB. O original atendia aos caprichos de apenas um chefe, o implacável Cabeça Branca. Já a versão 2.0. tem que se desdobrar em mesuras para não ferir os brios e conseguir materializar os desejos infindáveis por cargos de dois caciques, o antigo chefe Rui Costa e o ex-chefe do antigo chefe, Jaques Wagner.
Dois ministros pernambucanos vão decidir o destino dos militares golpistas
Depois que o Ministério Público Militar abriu inquérito para apurar a participação de militares na tentativa de golpe. Vale lembrar que o destino desses golpistas militares será decidido por dois ministros pernambucanos: o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e o presidente do Superior Tribunal Militar, general de Exército Lúcio Góes, que foi nomeado para o STM pela ex-presidente Dilma Rousseff.