Daqui a um mês, exatamente no dia 23 de fevereiro, a Espanha vai comemorar os 42 anos de um golpe de estado militar fracassado. A festa é uma espécie de celebração da unidade de militares e civis em defesa da Constituição. A tentativa de golpe abriu o caminho para a consolidação da Democracia depois de um longo período de ditadura fascista (1939-1975) e deu início a uma profunda reforma do Exército que, desde a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), era a base de sustentação de um regime o autoritário, comandado pelo “generalíssimo” Francisco Franco. Os espanhóis mantêm viva a imagem do tenente-coronel Antonio Tejero, com uma arma na mão, atacando o Congresso dos Deputados, na de 23 de fevereiro de 1981; à frente de um grupo de militares inconformados com as mudanças, iniciadas um ano antes com a morte de Franco. A reação foi rápida e os insurgentes dominados e presos. Com “o filme queimado” e a pecha de golpistas, as forças armadas foram obrigadas a abandonar definitivamente o intervencionismo, aceitaram mudanças na formação de seu pessoal, principalmente oficiais; e se abriram para novas funções, como as missões internacionais de paz e a proteção civil. A Espanha é hoje uma das mais sólidas democracias do mundo e suas forças armadas reverenciadas pela excelência profissional e consciência do seu papel institucional.