Flávio Dino precisa descer do palanque e ajudar, de fato, os Yanomami

A morte de 570 crianças Yanomami, sem contar ainda os adultos, está comovendo o mundo inteiro. O Exército Brasileiro montou na área um hospital de campanha para socorrer os que estão em estado mais grave. Mas a causa principal da tragédia está instalada na área, armada até os dentes, derramando mercúrio nos rios e tornando a água impossível de ser consumida pelos indígenas e moradores ribeirinhos. O principal item solicitado pelos que ajudam nessa tragédia é água potável. Acreditem, água potável. Como uma região banhada por rios caudalosos não possui água pronta para o consumo? Porque os garimpeiros ilegais espalhados por toda a região não foram incomodados. Continuam onde sempre estiveram, fazendo o serviço sujo, desmatando áreas, ameaçando os moradores, e vão resistir enquanto não houver uma ação dura do Ministério da Justiça que os obrigue a deixarem as áreas indígenas ocupadas por eles. Não são garimpeiros coitadinhos. São protegidos por empresas mineradoras, políticos, policiais e seguranças. É obrigação do Ministro da Justiça coordenar uma ação na região. Pois, se não o fizer, passada a comoção, os Yanomami e outras etnias continuarão sob o tacão dos garimpeiros. É bom lembrar que os governos Lula e Dilma já foram acusados de desleixo com os mesmos indígenas, ameaçados inclusive por uma CPI.

De onde menos se espera

Não bastasse as inconsistências existentes entre o Brasil, de futuro macroeconômico incerto, e a Argentina, dona de uma economia depauperada, a moeda comum entre os dois países conta com o apoio entusiasmado de onde menos se espera. “Eu anuncio que a Venezuela está preparada e apoiamos a iniciativa de criar uma moeda latino-americana e caribenha”, afirmou Nicolás Maduro, ditador da Venezuela, segundo a imprensa argentina. Na Venezuela, a taxa de inflação superou os 300% no ano passado, de acordo com dados não oficiais.

Prudência às vezes cai bem

Para faltar à cúpula dos chefes de Estado da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), nesta terça-feira, em Buenos Aires, Nicolás Maduro não economizou no verbo. Alegou “um plano elaborado pela direita neofascista, cujo objetivo era levar a cabo uma série de agressões” contra a delegação venezuelana por ele encabeçada, segundo um comunicado distribuído pelo governo da Venezuela. A oposição argentina, que havia questionado duramente a presença de Maduro no encontro, comemorou. “Seus amigos kirchneristas não puderam garantir a impunidade que ele necessitava para mover-se tranquilamente pelo país. Aqui a justiça funciona”, disse o deputado Mario Negri, da oposição. Como se sabe, a vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, foi condenada a seis anos de prisão por corrupção, e o presidente Alberto Fernández não se tem cansado de investir para submeter a alta cúpula do judiciário argentino. Maduro julgou mais prudente permanecer em Caracas.

Só aumentam as tentativas de sabotagem ao sistema elétrico brasileiro

A Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica, divulgou nota com o balanço, até agora, de tentativa de sabotagem na infraestrutura de transmissão de energia do sistema elétrico brasileiro. Apesar dos prejuízos, os vândalos não conseguiram impedir a transmissão de energia no país. Os ataques mais graves aconteceram nos seguintes estados: 6 em Rondônia, 4 no Paraná, 3 em São Paulo e 1 no Mato Grosso. Eles se intensificaram a partir de 8 de janeiro. As torres atingidas são operadas por Furnas, NBTE Evoltz, ETEO Taesa e Isa CTEEP. Hoje o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a Polícia Federal já instaurou inquéritos para apurar responsabilidades e que as instituições darão resposta vigorosa ao que considerou “ataque à soberania nacional”.

Apenas ele reina no Congresso Nacional

O deputado federal e atual presidente da Câmara, Arthur Lira, deve ser reeleito, no dia primeiro de fevereiro, para o próximo mandato daquela Casa com quase a unanimidade dos votos dos 513 parlamentares. Nenhuma bancada se atreveu a lançar candidato, de verdade, para concorrer com ele. Bem, Chico Alencar, PSOL, se lançou apenas para marcar posição. Lira negociou apoio em todos os partidos, inclusive PT. Aliás, jogou duro com o presidente Lula o apoio nas votações de interesse do governo. E levou a insatisfação dos parlamentares num jantar na terça-feira, antes da viagem do presidente. É que, apenas o PT até agora teve permissão para nomear os seus para os ministérios. E isso vem desagradando os parlamentares da base. Como Arthur Lira é o fiador do apoio ao governo, é, portanto, o mensageiro das reivindicações. Lira, num gesto de “boa vontade”, com o nosso dinheiro, claro, aumentou os benefícios para os parlamentares. O mais expressivo foi o auxílio moradia, que pode chegar a R$ 8.000,00 para cada um. Está prevenindo, a eleição dele está ganha, mas…

Pacheco piscou antes…

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, até deve ganhar a reeleição, também no dia primeiro de fevereiro. Mas amarga uma dura campanha de oposição de outros dois candidatos. É que Pacheco se aliou ao PT ainda na campanha. É acusado de omisso por diversos senadores que reclamam de sua pouca disposição para o diálogo. E dão como exemplo o fato de ter terceirizado sua campanha de reeleição para o senador Davi Alcolumbre. É Alcolumbre, segundo senadores, que percorre o país, conversa com os novos eleitos e com aqueles que permanecem no cargo, em busca dos votos para Pacheco. E mais, afirmam que o governo está inflando o PSB de Geraldo Alckmin, filiando senadores como Jorge Kajuru, hoje no Podemos, e Chico Rodrigues, do União Brasil, a fim garantir a reeleição de Pacheco. E o acusam de ter se aliado ao governo federal, sozinho, sem discutir pautas e projetos em andamento no Senado, de olho apenas na própria reeleição.

A violência de Salvador espanta turistas e baianos daquele que já foi considerado o melhor carnaval de rua do Brasil

Ontem, o melhor comunicador da imprensa baiana, o jovem José Eduardo, que domina há anos o horário na rede Record, esmagando a TV Bahia, repetidora da Globo, revelou uma pesquisa na qual 63% dos baianos afirmam que querem ficar longe do carnaval da Bahia. Há alguns anos era o melhor carnaval de rua do Brasil, mas foi sufocado pelo desaparecimento dos seus melhores blocos de afoxés e blocos de bairro. A eles se sucederam camarotes caríssimos que a cada ano ficam distantes de embelezar o carnaval da Bahia. A revelação do querido Bocão, como é chamado carinhosamente José Eduardo, é o assunto em todas as rodas baianas e revela um quadro de tristeza para quem já pulou atrás do trio elétrico que Caetano Veloso consagrou.

Onde começa e termina a violência

Desde o Corredor da Vitória, passando pela Ladeira, Porto e Farol da Barra, bairros onde a classe média alta possui imóveis, assaltos, crimes e drogas tomaram conta. O lamentável é que nem a prefeitura de Salvador, muito menos o governo do estado estão adotando medidas rígidas para tranquilizar baianos e turistas.

Colônia de férias

A Esplanada dos Ministérios já vem sendo chamada de “Colônia de Férias do Nordeste”, tal o número de ocupantes do primeiro escalão oriundos dessa região do país. Nesta “Colônia de Férias” pontifica o Consórcio Nordeste, o outrora bem azeitado cartel de compras governamentais que, durante a pandemia, deixou os nordestinos sem os respiradores, tendo lhes dado em troca apenas o sopro de uma leve maresia (“maresia, sente a maresia”, obrigado Gabriel, o Pensador). Colônia de férias tem tudo a ver com verão e maresia.

Perdão seletivo

Todo mundo sabe que o presidente Lula é um homem inclinado a gestos de distensão e boa vontade. Na sua primeira viagem à África como presidente da República, em 2003, pediu perdão pelos males da escravidão. Estes dias, mal chegado a Buenos Aires, pediu desculpas ao presidente Alberto Fernández pelas “grosserias” ditas por Jair Bolsonaro. O enfermeiro, a professora, o estudante, a lavadeira, o pequeno comerciante, o servente de pedreiro, enfim todo o bom e sofrido povo brasileiro, no entanto, jamais escutou da boca de Lula qualquer desculpa ou perdão pelos desvios de bilhões de reais dos cofres públicos e empresas estatais durante os governos petistas (2003-2016). Este é um dinheiro que faltou para a construção de hospitais, escolas, estradas, redes de esgoto, etc. Para o brasileiro comum, nunca será demasiado tarde ouvir do presidente Lula um pedido de perdão.

Onde estão as igrejas humanitárias de Damares?

Onde estão os líderes evangélicos que apoiaram Damares Alves, acusada de negar assistência aos povos indígenas? Damares é pastora evangélica. Atuou na Igreja do Evangelho Quadrangular, na Igreja Universal, é da Associação Nacional de Juristas Evangélicos e ainda atua no Movimento Nacional de Cidadania Pela Vida. Nem agora, que veio a público que ela negou assistência básica aos povos originários de várias etnias na época da Covid-19, eles se manifestaram. São coniventes com as atrocidades? Os indígenas só receberam assistência básica depois que o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, determinou que o governo federal adotasse medidas para conter o avanço da pandemia entre os indígenas. Até então Damares negava água potável, leitos de UTI, ventiladores pulmonares, materiais de higiene e muitos outros equipamentos básicos de sobrevivência. As igrejas nada viram e continuam não vendo o tamanho da perversidade da pastora de suas comunidades.

Adoção ou violação de direitos

A relação de Damares Alves com os indígenas brasileiros é, no mínimo, duvidosa. Em 2004, ela “adotou”, de maneira ilegal, uma menina de seis anos, do Parque Indígena do Xingu, da tribo Kamayurá, sem permissão dos pais. A história é no mínimo estranha. Uma missionária, Márcia Suzuki, levou a pequena indígena a Brasília para, supostamente, fazer um tratamento dentário. Entregou a criança para Damares sem o consentimento dos pais. A criança só voltou à aldeia nove anos depois, já com 15 anos, para visitar os parentes. A “adoção” não foi legalizada porque a família não reconhece a permissão para ela ter sido levada. Hoje com 25 anos, Damares a apresenta como sua filha, e, a quem questiona, apenas responde que não foi uma adoção formal dentro das normas da legislação brasileira. E fica por isso mesmo.

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