O lado obscuro da AMBEV II

Que essa empresa privilegiada pelo vice-presidente nacional de vendas carrega consigo um histórico de dúvidas, não é novidade, a última coloca em dúvida a realização do grande camarote Brahma, marca que está fazendo um grande investimento no Carnaval de Salvador. Resta saber se a Brahma mais uma vez fez a escolha certa, ou irá repetir a dose como na fábrica de bares?

Muito pesado

No vasto círculo de juristas e advogados que gravita em torno do presidente Lula e do PT já é voz corrente que a escolha de Flávio Dino para ministro da Justiça foi inadequada. Argumentam que Dino não tem o devido peso para o cargo, além de falar muito e agir muito pouco. Para o seu lugar sonham com o impossível: o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa. Nos últimos dias, o nome de Barbosa voltou a circular com muita intensidade no meio político, depois da reprimenda que ele deu, via Twitter, no ex-vice-presidente do governo Bolsonaro (“Ora, ora, senhor Hamilton Mourão. Poupe-nos da sua hipocrisia, do seu reacionarismo, da sua cegueira deliberada…”). Joaquim Barbosa, sussurram os juristas e advogados devotos de São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis, tem a dignidade, a correção e a aceitação social necessárias para dar um rumo seguro e pacífico ao até aqui conturbado governo Lula.

Amigo de ditadores

Os governos de esquerda da América Latina e do Caribe, como do Brasil e da Argentina, de público tão zeloso em defesa da democracia no continente, nem se deram ao trabalho de ao menos eleger para presidir a Celac um nome com credenciais democráticas incontestáveis. Na cúpula de Buenos Aires, escolheram para a presidência da organização o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, que está há 22 anos no poder e é muito próximo dos ditadores Nicolás Maduro (Venezuela), Daniel Ortega (Nicarágua) e Miguel Díaz-Canel (Cuba). As ilhas caribenhas de São Vicente e Granadinas são uma monarquia parlamentar, falam inglês e têm pouco mais de 100 mil habitantes, população inferior à do bairro carioca de Copacabana.

O mundo é uma laranja

O primeiro périplo internacional do presidente Lula nesse novo governo pode ser considerado um sucesso para as pretensões de liderança do país no continente. Em Buenos Aires, Lula foi visto a dar conselhos ou instruções ao anfitrião Alberto Fernández e a falar com ele com veemência, o que não passou despercebido ao olhar crítico da imprensa portenha. O que não correu muito bem foi a natural dificuldade que o staff diplomático argentino teve em pronunciar o nome da primeira-dama Janja da Silva. A cada vez que o nome dela era falado, ouvia-se um som meio cômico como se fosse “ranra”, já que o jota tem som de erre no castelhano. Os mais caprichosos profissionais do Palácio San Martín, sede da diplomacia argentina, procuravam ensinar aos desatentos, sem esconder o riso de deboche, que o problema era muito simples: o nome da primeira-dama brasileira rima, em espanhol, com “naranja” (laranja para nós).

Uma mulher de fibra

Eleita mais uma vez deputada federal por Brasília pelo PT, Érika Kokay é reconhecida, até pelos adversários, como uma mulher de coragem, que luta pelo que acredita. No Congresso atua em várias frentes. Está sempre envolvida nos grandes temas nacionais: direito das mulheres, preservação da cultura, direitos sociais, melhoria e dignidade para os trabalhadores. Nesse início de ano, mesmo no recesso da Câmara, já fez reuniões com ministros que assumiram em busca de soluções para as demandas da sociedade. O protagonismo da deputada vem do empenho e seriedade na condução dos mandatos. Bancária, psicóloga, para essa nordestina de Fortaleza a palavra preguiça não faz parte do seu vocabulário.

Livramento

Muito zeloso da sua imagem, o presidente Lula conseguiu esta semana escapar de dois flagrantes fotográficos em Buenos Aires que teriam o potencial de provocar estragos ao seu capital político no Brasil. Estava previsto que Lula iria se reunir com o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, à margem da 7ª Cúpula da Celac, e com a vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Com receio de problemas com a justiça argentina, Maduro achou mais seguro permanecer em casa. Já Cristina Kirchner, condenada a seis anos de prisão num processo de corrupção, queria para si as honras de receber Lula na presidência do Senado, numa espécie de cúpula paralela da Celac, e não se dispôs a ir até o hotel onde o presidente brasileiro estava hospedado. Com amigos encrencados como esses, Lula não precisa de inimigos.

Arapongas federais

A ser verdade a notícia divulgada no G1, de que Lula quer transferir a Abin do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para a Casa Civil, é o caso de dizer que o presidente da República atirou no que viu e acertou no que não viu. Quando Rui Costa esteve à frente do governo da Bahia, o que mais se falava à boca pequena era na sofisticação e alcance da arapongagem baiana instalada no CAB. A troca em curso, portanto, faz todo sentido.

Um homem tóxico I

O extermínio do povo Yanomami levado a cabo por Bolsonaro é um dos muitos males de que o Brasil se livrou. Se tivesse mais quatro anos no comando do país, seus planos diabólicos teriam o êxito que ele tanto desejava, como uma reedição da ditadura militar, o aniquilamento do setor cultural, o uso da máquina e dos cofres públicos para fazer política para seu clã e seus apaniguados, para citar alguns exemplos de sua mente nefasta. Bolsonaro é uma lástima e tudo que toca, corrompe. A imoralidade dos gastos do cartão corporativo, mais do que emblemático, é o retrato acabado sobre como ele transformou o bem público num ente privado. 

Um homem tóxico II

Bolsonaro, desde que pisou pela primeira vez no Palácio do Planalto, transformou a Presidência da República no seu brinquedinho particular. Não gostava de horário de verão, então, revogou-o. Michelle, campeã de multas do clã por excesso de velocidade, levou o marido a revogar os pardais nas rodovias federais. Multado por pescar na Reserva Ecológica de Tamoios, em Angra, no Rio de Janeiro, o ex-mandatário não só mexeu seus pauzinhos para anular a multa, como exonerou o servidor que o multou de cargo de chefia, além de destruir o Ibama, é claro. Esses exemplos, menores se comparados à tentativa de aniquilação de povos originários, dos quais claramente não gosta, demonstram o homem mesquinho, ignorante, abusivo: a empulhação humana e política que Bolsonaro é. Um Kim Jong-un em miniatura.

Pulga atrás da orelha

Muita gente ficou com a pulga atrás da orelha com os elogios e afagos de ACM Neto a Guilherme Bellintani durante a entrevista que deu à imprensa baiana, na semana passada. A possibilidade do ainda presidente do Esporte Clube Bahia vir a disputar as eleições municipais do ano que vem preocupa o ex-prefeito de Salvador. Em 2020, o baixinho teria evitado que Bellintani enfrentasse Bruno Reis. O temor era grande com o embate entre os dois e uma possível derrota do poste. Muito mais articulado e possuidor de uma oratória clara, bem diferente do boca de ovo, Bellintani, que também participou e com destaque da gestão do neto do Cabeça Branca, é uma ameaça real à última trincheira do ex-prefeito para seus planos em 2026. Se tiver o apoio do governador Jerônimo, então, o bicho vai pegar…

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑