Os governos de esquerda da América Latina e do Caribe, como do Brasil e da Argentina, de público tão zeloso em defesa da democracia no continente, nem se deram ao trabalho de ao menos eleger para presidir a Celac um nome com credenciais democráticas incontestáveis. Na cúpula de Buenos Aires, escolheram para a presidência da organização o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, que está há 22 anos no poder e é muito próximo dos ditadores Nicolás Maduro (Venezuela), Daniel Ortega (Nicarágua) e Miguel Díaz-Canel (Cuba). As ilhas caribenhas de São Vicente e Granadinas são uma monarquia parlamentar, falam inglês e têm pouco mais de 100 mil habitantes, população inferior à do bairro carioca de Copacabana.