Mosca azul 

Após Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, em sua entrevista sem noção ao jornal O Globo, acenar com a possibilidade de Michelle ser candidata à Presidência da República, amigos íntimos da ex-primeira-dama afirmam que ela já foi picada pela mosca azul e envidará todos os esforços para suceder o marido na carreira política caso ele seja declarado inelegível pelo TSE. Estaria disposta até a enfrentar Carlos Bolsonaro, o Carluxo, seu desafeto, para sentar-se na cadeira presidencial. 

Descaso público e anunciado

Os povos indígenas, dessa vez os Yanomami, enfrentam o descaso das autoridades e assistem estupefatos a guerra dos palanques, que, mais uma vez, tira proveito político da situação de desnutrição que lembra o holocausto “revelada” pelas imagens que agora rodam o mundo. Nos últimos quatro anos a situação se agravou pelas palavras e atitudes do presidente Bolsonaro. São dele as frases: “A cavalaria brasileira foi muito incompetente. Competente, sim, foi a cavalaria norte-americana, que dizimou seus índios no passado e hoje em dia não tem esse problema em seu país”. E ainda: “Nem um centímetro para quilombola ou reserva indígena”. Essa foi a indicação para a desidratação dos recursos em todas as áreas do governo. Ministério da Damares, Saúde, Funai, Educação e todo e qualquer serviço que estivesse dentro do governo federal. Estabeleceu-se nas terras indígenas um vale-tudo. Toda exploração foi permitida. Permitida e protegida.

E os exploradores garimpeiros continuam na área? Claro!

Essa é a regra. De vez em quando acontece uma matança. Ela vem a público. Governos e garimpeiros trocam acusações. Autoridades se indignam. Baixa a poeira, o assunto some e desparecem junto as providências e as autoridades esbravejantes. E as mortes aumentam conforme a ganância. No dia 6 de fevereiro de 2020, chegou ao Congresso Nacional o projeto de Lei 191/2020, de iniciativa do governo federal, que permitia a mineração, turismo, pecuária, exploração de recursos hídricos e de hidrocarbonetos nas áreas indígenas. Não foi preciso esperar a Lei. Estava dada a senha e, imediatamente, mais de 20 mil garimpeiros invadiram as terras indígenas e cercaram as aldeias, onde os indígenas ficaram confinados. A água conspurcada de barro e mercúrio, as doenças como malária, gripes, diarreias, desnutrição dizimavam dezenas de crianças e adultos. Na voz de Davi Kopenawa Yanomami, quantos mais adultos mortos, mais crianças também. E Davi não tem nenhuma dúvida: “não é de fome que nosso povo está morrendo, é pelo garimpo. O garimpo mata nosso povo”. E os garimpeiros continuam nas terras Yanomami, armados até os dentes, protegidos como sempre pela polícia, pelas milícias contratadas, pelos empresários, políticos, pelas autoridades nacionais e estaduais.

É o garimpo senhores ministros, governador, autoridades.

Ministros do Supremo estão visivelmente incomodados em suas cadeiras com as imagens dos Yanomami desnutridos e morrendo à míngua. Começaram a desentocar decisões que não foram cumpridas por uns e outros governantes. E os garimpos ministros? Nem uma linha? Nem uma ação do Ministério da Justiça? Não adianta combater os sintomas sem ir à raiz do problema. Hamilton Mourão, ex-vice-presidente e agora senador, diz que sobrevoou a área, mas que era muito difícil chegar até lá. Antonio Denário, governador de Roraima, também alega dificuldades para chegar até os Yanomami. Só quem não encontra dificuldades são os garimpeiros, os empresários que vão recolher o ouro nos seus helicópteros que chegam e saem com suas riquezas. Sabem como chegar, onde atravessar, como sair. Esses encontram caminhos, as autoridades, palavras. É por viver esse drama há anos que Davi Kopenawa Yanomami repete incansavelmente. É o garimpo. É o garimpo.

Pela culatra

Surreal é achar normal ter minuta de golpe de estado em toda a Esplanada dos Ministérios e nas casas das autoridades do primeiro escalão do governo Bolsonaro. Mas, pasmem, essa foi a revelação feita por Valdemar da Costa Neto em sua entrevista ao Globo. Falou como quem tratava de um assunto corriqueiro, do cotidiano. Chega a ser chocante a banalização de atos antidemocráticos, como o impedimento de ministros de uma Corte Superior e anulação de uma eleição legítima. Não se pode normalizar e, muito menos, relativizar um golpe de estado para colocar no poder um candidato que não conseguiu eleger-se pelo voto popular. Minuta de golpe de estado não é arroz de festa. É gravíssimo. E assim deve ser tratado, inclusive, por um presidente de partido político, como Valdemar, cuja legenda deveria ter obrigação de zelar pela Constituição. 

Pela culatra II

Valdemar, a propósito, avaliou a abundância de minutas de golpe de estado nos gabinetes mais estrelados, com a maior naturalidade: “Ele não fez isso (o golpe), porque não viu maneira de fazer. Agora, vão prendê-lo por causa disso?!”. Sim, devem prendê-lo. É o que se espera que façam com quem deseja instituir uma ditadura militar no país, tendo à frente o capitão. Bater voto na urna que é bom, eles não querem.

Empreiteiro baiano que é cirurgião-geral

Assim a bancada federal da Bahia chama o empreiteiro Marcelo Adorno Farias, proprietário de empreiteiras de serviços que ganha todas no estado. O fato tem irritado profundamente o PT, já que o “cirurgião-geral” sempre operou com a situação.

Constrangimento no governo do Distrito Federal

O ministro da Justiça, Flávio Dino, escolheu e entregou, para a governadora interina Celina Leão nomear, o secretário de segurança pública do Distrito Federal. E para configurar a imposição (humilhação) nomeou um nome que ocupou a mesma função no governo do petista Agnelo Queiroz, adversário político de Celina e Ibaneis Rocha. Embora a intervenção na segurança pública do DF pela União, exercida por Ricardo Capelli, termine no dia 31, é com Flávio Dino que o nomeado Sandro Avelar vai despachar. Esse constrangimento e intervenção no Governo Ibaneis, teve início no dia 9 de janeiro, quando foi decretada a prisão de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro e Secretário de Segurança Pública do DF, sobre que pesa a acusação de ter participado do planejamento das invasões e quebradeiras dia 8 de janeiro, em Brasília. Torres continua preso, Ibaneis afastado, e Celina, como se viu, nomeando, sem poder questionar, os indicados pelo ministro da Justiça.

Boca calada

Pelo menos em público, o presidente Lula não intercedeu em favor dos jovens cubanos detidos nas manifestações pacíficas de 11 de julho do ano passado, quando protestavam contra a escassez de produtos básicos e cortes de eletricidade na ilha. É bem possível que este tema espinhoso tenha sido deixado de lado na conversa que Lula manteve com o ditador cubano Miguel Díaz-Canel, em Buenos Aires, à margem da Cúpula da Celac. Logo a seguir a este encontro, um tribunal de Havana condenou com penas de prisão de quatro a treze anos um grupo de quinze manifestantes, acusados do crime de sedição. Lula calado estava, calado ficou.

ACM Neto é hoje um dos mais bem-sucedidos empreiteiros da Bahia

Dominou a prefeitura municipal de Salvador e após perder a sucessão estadual na Bahia, ACM Neto não perdeu tempo. Hoje, é um dos empreiteiros mais ricos da Bahia ao se associar com o prefeito de Mata de São João, João Gualberto, com o publicitário do PT, Sidônio Palmeira, com o presidente do Bahia e também empreiteiro Guilherme Bellintani, bem como com Thiago Coelho, filho de um dos homens mais ricos da Bahia, o empresário Roberto Coelho. O grupo acaba de comprar o coqueiral de Taipe, uma das áreas mais lindas de Trancoso. Era nela que anualmente se realizavam uma das festas mais lindas de final de ano da região de Porto Seguro. Consta que o grupo pagou R$80 milhões e vai derrubar o coqueiral lindíssimo que possuía Porto Seguro.

Alexandre, o grande 

Alexandre de Moraes, o Xandão das redes sociais brasileiras, projetou-se também internacionalmente: o prestigioso e sesquicentenário New York Times, em matéria sobre o Brasil, refere-se ao ministro da Suprema Corte e do TSE como “Big Alex”, sem dúvida, uma menção honrosa. Segundo o jornal nova-iorquino, a firme posição de Moraes fez com que a esquerda do país o considerasse “o homem que salvou a jovem democracia brasileira”. Há quem diga que se excede. Mas, convenhamos, tratar com os bárbaros que compõem as hordas bolsonaristas exige mais do que uma espada de aço curvada. Exige coragem. Destemor. Crença na democracia. Moraes cumpre à risca seu dever como magistrado, num país cujo judiciário, muitas vezes, deu as costas à justiça.

O lado obscuro da AMBEV I

O carnaval da Bahia faz os ratos aparecerem. Hoje essa coluna traz informações quentes sobre esquemas e relações duvidosas que se sobrepõem ao compliance do grande grupo cervejeiro. Não é novidade que o vice-presidente Daniel Cocenzo privilegia uma empresa local para fazer seus eventos e camarotes na nossa cidade. A pergunta que fica é: qual é a contrapartida de tanta exclusividade? Tem quick-back aí na área.

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