Surreal é achar normal ter minuta de golpe de estado em toda a Esplanada dos Ministérios e nas casas das autoridades do primeiro escalão do governo Bolsonaro. Mas, pasmem, essa foi a revelação feita por Valdemar da Costa Neto em sua entrevista ao Globo. Falou como quem tratava de um assunto corriqueiro, do cotidiano. Chega a ser chocante a banalização de atos antidemocráticos, como o impedimento de ministros de uma Corte Superior e anulação de uma eleição legítima. Não se pode normalizar e, muito menos, relativizar um golpe de estado para colocar no poder um candidato que não conseguiu eleger-se pelo voto popular. Minuta de golpe de estado não é arroz de festa. É gravíssimo. E assim deve ser tratado, inclusive, por um presidente de partido político, como Valdemar, cuja legenda deveria ter obrigação de zelar pela Constituição.