Essa é a regra. De vez em quando acontece uma matança. Ela vem a público. Governos e garimpeiros trocam acusações. Autoridades se indignam. Baixa a poeira, o assunto some e desparecem junto as providências e as autoridades esbravejantes. E as mortes aumentam conforme a ganância. No dia 6 de fevereiro de 2020, chegou ao Congresso Nacional o projeto de Lei 191/2020, de iniciativa do governo federal, que permitia a mineração, turismo, pecuária, exploração de recursos hídricos e de hidrocarbonetos nas áreas indígenas. Não foi preciso esperar a Lei. Estava dada a senha e, imediatamente, mais de 20 mil garimpeiros invadiram as terras indígenas e cercaram as aldeias, onde os indígenas ficaram confinados. A água conspurcada de barro e mercúrio, as doenças como malária, gripes, diarreias, desnutrição dizimavam dezenas de crianças e adultos. Na voz de Davi Kopenawa Yanomami, quantos mais adultos mortos, mais crianças também. E Davi não tem nenhuma dúvida: “não é de fome que nosso povo está morrendo, é pelo garimpo. O garimpo mata nosso povo”. E os garimpeiros continuam nas terras Yanomami, armados até os dentes, protegidos como sempre pela polícia, pelas milícias contratadas, pelos empresários, políticos, pelas autoridades nacionais e estaduais.