Era tudo mentira

Mais de mil militares recebiam Auxílio Brasil e ainda alimentação no cartão corporativo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em lives, ele disse que jamais usou o cartão corporativo. Os fatos estão comprometendo seriamente as declarações dele e, agora, a crise humanitária dos Yanomami, que é manchete em todo o mundo, pode e deve responsabilizar Jair Bolsonaro pelos crimes de genocídio que cometeu contra o povo indígena no Brasil.

A redentora 

A facada que Bolsonaro recebeu em 2018 rende-lhe dividendos políticos até hoje. Sempre que se vê acuado, recorre a uma internação ou intervenção cirúrgica para se vitimizar. O capitão sempre procura por uma obstrução intestinal que lhe propicie condescendência; a piedade da população. É recorrente; basta ver a dieta alimentar pouco saudável que expõe nas suas redes sociais: hambúrguer, frango frito, farofa, coca-cola, leite condensado aos montes. Em Santa Catarina comeu camarão com casca justamente no momento em que recebia uma saraivada de críticas sobre a farra das férias com dinheiro público. Barco e mulheres dançando de biquíni enquanto ele se exibia em manobras pouco recomendáveis no jetski. Já no Brasil real, a Bahia e Minas Gerais estavam inundadas por chuvas intensas. Com mortos. 

A redentora II

Agora que o cerco está se fechando em torno dele, agravado pelos atos violentos de seus seguidores em 8 de janeiro e a exposição do genocídio dos Yanomami praticado por seu governo, Bolsonaro quer voltar para o Brasil direto do aeroporto de Guarulhos para o Hospital Vila Nova Star, instituição seis estrelas da Rede D’or. As consequências da facada e nova internação, mais uma vez, coincidem por crise pessoal. Não tem erro. É a redentora facada.

Juiz baiano se envolve em novas polêmicas

O juiz Mário Soares Caymmi Gomes, cujo histórico de conduta profissional já foi objeto de inúmeros processos junto à corregedoria do Tribunal da Bahia e também junto ao CNJ, parece que de fato tem uma vocação para se envolver em polêmicas. Desta vez o magistrado assinou um Edital de Seleção Pública para vagas de estágio remunerado em que consigna o seguinte: “como medida afirmativa de promoção da diversidade de Gênero e de Orientação Sexual no âmbito do Poder Judiciário do Estado da Bahia, esta seleção estará RESTRITA às pessoas que, ao se candidatarem, se autodeclarem LGBTQIAPN+”. Sem demérito algum à iniciativa, a polêmica criada com tal edital é que ele termina por impedir que pessoas não LGBTQIAPN+ possam ocupar o referido estágio, sendo uma discriminação inversa a conduta do magistrado.

As autoridades brasileiras ignoram o tráfico de ouro das terras Yanomami

Pelo menos assim parece. Depois dos relatos da crise humanitária que se instalou no Brasil após o mundo inteiro conhecer parte da realidade de como vivem os indígenas brasileiros, há uma movimentação intensa de ajuda. Remédios, cestas básicas, água potável, enfermeiros, médicos. Tudo isso é importantíssimo e muito urgente. A Polícia Federal e o STF anunciaram investigações para saber se houve genocídio entre o Yanomami. Mas onde estão as investigações sobre os garimpos ilegais, cujas balsas continuam roncando dentro dos rios? Até agora, nenhuma autoridade disse absolutamente nada sobre o que realmente causa a morte, a fome e as doenças dos Yanomami. Os aviões continuam suas rotas buscando ouro e a cassiterita extraídas das terras indígenas. Onde está a Polícia Federal? Onde está o Exército Brasileiro? Onde está o Ministério da Justiça? Se escondem vergonhosamente atrás de questionar quem são os “omissos” quando deveriam fiscalizar, punir e proteger as terras indígenas.

O silêncio que mata os indígenas Yanomami

A quem interessa manter os garimpeiros dentro das áreas dos Yanomami e de outras etnias na região de Roraima? Porque os aviões dos garimpos ilegais podem usar as pistas de pouso oficiais, feitas pelo Exército brasileiro, sem serem incomodados pelas autoridades? Segundo relato de André Borges, jornalista do Estadão, as pistas de pouso são abertas, ao lado delas instala-se uma equipe de saúde para dar assistência aos indígenas. Em seguida, os garimpeiros expulsam as equipes de saúde, ocupam as pistas e fica por isso mesmo. São dezenas de pistas clandestinas. Nenhuma escapa a uma olhada rápida numa imagem de satélite. O tráfego aéreo na região tem uma fiscalização tão precária que é difícil não classificar como conivente. A região faz fronteira com a Venezuela, de onde vem grande parte dos garimpeiros. Invadem o espaço aéreo brasileiro e buscam o ouro debaixo do nariz das nossas autoridades. Hoje, as comunidades indígenas convivem com mais de 20 mil garimpeiros em suas áreas. Sobre esses, os garimpeiros, todos mudos. É o silêncio sobre as causas que matam os Yanomami.

A fiscalização das ONGs que atuam no Brasil é precária e permissiva

As denúncias sobre a atuação das Organizações Não Governamentais são muitas, as apurações pouquíssimas e as punições mais raras ainda. Falar sobre elas é como mexer em caixa de marimbondo. Já foi pedida CPI no Congresso para apurar a atuação delas, mas não prospera. São milhares de ONGs espalhadas pelo país. A região Amazônica concentra uma quantidade e presença inexplicável delas. Centenas desenvolvem projetos nas áreas indígenas. Centenas recebem recursos públicos. Recebem financiamentos internacionais de fundos riquíssimos. Dezenas de Igrejas e missionários se infiltram até nas áreas dos indígenas isolados. Como então acreditar que fomos todos surpreendidos pelas imagens chocantes mostrando a situação dos Yanomami e com os relatos de que pelo menos 570 crianças morreram? Das centenas de ONG espalhadas pela região Amazônica, nenhuma percebeu que acontecia ali uma crise humanitária?

A tragédia Yanomami nunca foi desconhecida

Muitas autoridades brasileiras têm conhecimento do que acontece na região de Roraima. Já foi retratada belissimamente em recente novela da Globo. Garimpos, aviões, diamantes, mortes. Compradores de pedras que lavavam o dinheiro em bancos europeus. Outro dia o deputado e ex-ministro da Justiça do Brasil, Aldo Rebelo, contou, numa palestra no Pará, de sua ida à região Yanomami, tempos atrás, essa mesma, cujas imagens da subnutrição espantam o mundo. Segundo Rebelo, ao chegar a uma das aldeias, são mais de 380, e deparar com a situação precária dos indígenas, questionou a moça de uma ONG que fazia atendimento na aldeia. Aldo quis saber porque não havia alimentação e remédios adequados. Ouviu como resposta que “não podiam alterar a cultura dos povos indígenas”. Exatamente isso. Ah, e ao então coronel, hoje General Villas Boas, que o acompanhava, não foi permitida a entrada naquela parte da aldeia. E assim, historicamente, as providências vão sendo deixadas de lado. De vez em quando todos acordam.

Sem desconfiômetro

Na Bahia, a desfaçatez daqueles que trabalharam contra e que agora querem pular no barco do governo não tem tamanho. É o caso do atual Superintendente Substituto do Ministério da Agricultura na Bahia (MAPA), Cássio Peixoto, indicado por Bolsonaro e ainda não exonerado. Durante todo o período eleitoral, Peixoto não poupou esforços na divulgação de mensagens contra Jerônimo, Lula e o PT e agora pleiteia ser o Superintendente do MAPA na Bahia! Mesmo se passasse no crivo político (o que seria bem difícil, dadas as suas ligações com aqueles que traíram o grupo político vitorioso na Bahia), terminaria barrado no filtro ético do Governo Federal por estar a responder processos administrativos disciplinares, que apuram a cessão de duas caminhonetes Mitsubishi L200 oficiais para uso eleitoral do Prefeito de Santa Maria da Vitória (BA), Tonho de Zé de Agdônio, irmão da então Superintendente do MAPA na Bahia, Suelene Santos da Silva.

Revoada das togas

Quatro ministros do STF – Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes – fazem parte do elenco de expositores do Lide Brazil Conference, a ter lugar em Lisboa, nos dias 3 e 4 de fevereiro. O evento anterior da organização do ex-governador João Dória Jr., realizado em dezembro, foi marcado pelo assédio dos bolsonaristas aos membros da alta cúpula do judiciário nas ruas, hotéis e restaurantes de Nova York.

Piquenique além-mar

Não se sabe bem o porquê, mas a Cedae, a estatal que cuida da produção de água para os fluminenses, está entre as empresas patrocinadoras do convescote do Lide em Lisboa, ao lado de pesos pesados como Bradesco, Febraban e Paper Excellence, e também da Invest Rio, a agência de atração de investimentos da prefeitura carioca. Por acaso, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, é um dos palestrantes do evento.

Michelle já chega causando

Michelle Bolsonaro retorna ao Brasil vestida como nos tempos de balada na Ceilândia, cidade satélite de Brasília, de onde saiu para brilhar no Congresso Nacional: boné, casaco largo, desalinhado, e calça jeans. À côté, seu fiel escudeiro, o maquiador Agustin Fernandez, que se autodeclara “bicha, maquiada, bolsonarista e evangélica”, para quem, aparentemente, Michelle agora trabalha como garota-propaganda de sua linha de cosméticos. Ninguém entendeu a indumentária, especialmente para quem, recentemente, vestiu-se à semelhança de Jackie Kennedy, mas sem a elegância característica da mais emblemática primeira-dama dos EUA. O modelito usado por Michelle estava mais para disfarce mal-ajambrado, vez que, obviamente, foi reconhecida e fotografada tão logo pisou em solo brasileiro. Para alguns, queria mesmo causar. E causou. Está em todos os jornais, blogs e explodiu nas redes sociais. “Eu voltei!”. Agora para ficar? 

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