A quem interessa manter os garimpeiros dentro das áreas dos Yanomami e de outras etnias na região de Roraima? Porque os aviões dos garimpos ilegais podem usar as pistas de pouso oficiais, feitas pelo Exército brasileiro, sem serem incomodados pelas autoridades? Segundo relato de André Borges, jornalista do Estadão, as pistas de pouso são abertas, ao lado delas instala-se uma equipe de saúde para dar assistência aos indígenas. Em seguida, os garimpeiros expulsam as equipes de saúde, ocupam as pistas e fica por isso mesmo. São dezenas de pistas clandestinas. Nenhuma escapa a uma olhada rápida numa imagem de satélite. O tráfego aéreo na região tem uma fiscalização tão precária que é difícil não classificar como conivente. A região faz fronteira com a Venezuela, de onde vem grande parte dos garimpeiros. Invadem o espaço aéreo brasileiro e buscam o ouro debaixo do nariz das nossas autoridades. Hoje, as comunidades indígenas convivem com mais de 20 mil garimpeiros em suas áreas. Sobre esses, os garimpeiros, todos mudos. É o silêncio sobre as causas que matam os Yanomami.