Perdão seletivo

Todo mundo sabe que o presidente Lula é um homem inclinado a gestos de distensão e boa vontade. Na sua primeira viagem à África como presidente da República, em 2003, pediu perdão pelos males da escravidão. Estes dias, mal chegado a Buenos Aires, pediu desculpas ao presidente Alberto Fernández pelas “grosserias” ditas por Jair Bolsonaro. O enfermeiro, a professora, o estudante, a lavadeira, o pequeno comerciante, o servente de pedreiro, enfim todo o bom e sofrido povo brasileiro, no entanto, jamais escutou da boca de Lula qualquer desculpa ou perdão pelos desvios de bilhões de reais dos cofres públicos e empresas estatais durante os governos petistas (2003-2016). Este é um dinheiro que faltou para a construção de hospitais, escolas, estradas, redes de esgoto, etc. Para o brasileiro comum, nunca será demasiado tarde ouvir do presidente Lula um pedido de perdão.

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