As pernas curtas da mentira e os descaminhos

Dizem os especialistas em imagem que na maioria dos casos a verdade é o melhor caminho para preservar uma biografia política, por pior que seja o “erro” ou “crime”. O arrependimento “sincero” sempre comove a opinião pública, ou a maioria. Cita-se inclusive o caso de uma vitoriosa política nordestina que viu sua credibilidade se esvair depois de sete explicações diferentes para uma grande quantia em dinheiro vivo. À medida que se revolve o lamaçal das joias sauditas, o ex-presidente vai se afundando em versões, assim como o militar mais graduado a participar do imbróglio, o almirante de esquadra, Bento Albuquerque, que está na terceira versão diferente. Bolsonaro começou com o “não sei e não recebi nada”. As últimas informações o colocam na difícil situação de ser desmentido com provas irrefutáveis, documentos públicos; mais uma vez entre tantas mentiras, de todos os calibres que distribui em quantidades industriais. Vai ser obrigado a devolver algo que não lhe pertence, “presente” que seguiu vários descaminhos. O nome disso é apropriação indébita. Repetindo uma frase muito utilizada em Brasília, “você sai do Baixo Clero, mas o Baixo Clero não sai de você”.

A família Bolsonaro fez de mula um almirante da Marinha

A Polícia Federal vai chamar como primeiro depoente do escândalo das joias o almirante Bento Albuquerque, que atuava como ministro das Minas e Energia do governo Bolsonaro. Fez mais de dez viagens ao exterior, segundo a Receita Federal, e não explicou de maneira nenhuma o ingresso das joias no Brasil. Este fato preocupa a cúpula militar, já que um capitão de mar e guerra, também da Marinha, trabalhava no gabinete de Bolsonaro, foi a São Paulo tentar retirar as joias. Esse escândalo não tem como parar.

Anderson Torres perde onze advogados e deixou Bolsonaro e Ibaneis Rocha com a brocha na mão

Há quem afirme que, após perder um grupo de onze advogados, o ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro e ex-secretário da Segurança Pública de Ibaneis Rocha pode fazer delação premiada. São inúmeras acusações contra ele que envolvem também licitações na área do governo federal. 

Sarney aos 93 anos é o principal nome do MDB

A Fundação Ulysses Guimarães quer produzir um documentário para falar da vida do partido. Vivo atualmente, o ex-presidente da República e do Senado Federal, José Sarney, será o destaque porque, ainda lúcido, é uma figura respeitável na vida pública nacional. 

Bento reina no governo

Pivô do caso das joias, o ex-ministro Bento Albuquerque conserva um feudo de poder em Brasília. A ENBpar, estatal criada por Bolsonaro para absorver ativos da Eletrobras, segue comandada pelo almirante Ney Zanella dos Santos, indicado por ele. O número 2 é outro almirante, José Roberto Bueno Junior, que foi chefe de gabinete de Bento. Bueno assumiu em 11 de novembro, quando já se sabia da vitória de Lula. Bento passou o último ano como assessor e chegou a viajar, na classe executiva às custas da estatal, para a privatização da Eletrobras em Nova York. A CGU e o MPF estão de olho nele.

Michelle tem viagem cancelada

A viagem de Michelle Bolsonaro pelo país está cancelada até que terminem os processos sobre as joias. O roteiro é alvo de divergência entre a ex-primeira-dama e o cacique do partido Valdemar Costa Neto. Ele pretendia que Michelle começasse pelo Sul e Centro-Oeste, mas ela queria começar pelo Nordeste, falando para as mulheres evangélicas. A ordem agora é que ela mergulhe. O marido já adiou a volta ao Brasil e ela deve seguir o mesmo caminho. 

As joias das arábias

Os presentes trazidos pelas comitivas do governo Bolsonaro, que visitaram a Arábia Saudita, se espalharam pelos ministérios. Ontem, o ex-secretário Caio Megale devolveu o relógio da Cartier, que recebeu depois da visita ao país. Quantos relógios, anéis, canetas, colares, abotoaduras, ainda se escondem nos armários pessoais de altos funcionários do governo Bolsonaro? Vão ter a dignidade de devolver o contrabando? Vão se fazer que não é com eles?

Relógios e joias

O mundo dos políticos pode ser dividido entre aqueles que apreciam e colecionam relógios de grife, que custam os olhos da cara, e os que não estão nem aí para este tipo de acessório. Neste último grupo, inclui-se o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que divulgou a devolução de um mimo – um relógio caro da marca suíça Omega – recebido do secretário-geral da Federação de Esportes Aquáticos, durante uma viagem à China, em 2014. Já na turma dos amantes da hora certa, ninguém toma o lugar do senador Jaques Wagner, que numa só batida da Polícia Federal, em 2018, teve apreendido 15 relógios de luxo por suspeita de serem “presentes” de empreiteiras com contratos com o governo da Bahia. Quanto a Jair Bolsonaro, que ao ser eleito orgulhava-se de ostentar uma caneta Bic na mão e um roscofe no pulso, a sua inclusão num ou noutro grupo dependerá do rumo que tomar a controversa história das joias das Arábias.

Música no Fantástico

Em decisão reiterada, a Justiça do Trabalho determinou o afastamento do Procurador da Câmara Municipal de Salvador, Marcos Vinícius Leal Gonçalves, por assédio moral contra quatro servidoras da casa. É a segunda vez que a justiça determina o afastamento. Será que o ex e o atual presidente da Câmara Municipal de Salvador, seus padrinhos, estão esperando a terceira determinação da justiça para pedirem música ao Fantástico?

Na mosca: Neymar tem futuro incerto

Este blog sempre vinha alertando que as constantes contusões do atacante Neymar e sua vida extra campo iriam complicar ele como craque de futebol. Esta semana, na França, os principais jornais e as principais revistas esportivas dão como certo que após fazer nova cirurgia em Doha, no Catar, e ficar cinco meses fora de campo, o Paris Saint-Germain quer vender Neymar para o futebol americano, para o time de David Beckham. Ninguém sabe como será a recuperação do jogador brasileiro, mas o que se fala é que sua atuação extra campo complicou muito a vida dele.

O Motivo da zanga foi Caetano Veloso

Sobrou até para Caetano Veloso. Na primeira entrevista concedida por Sérgio Cabral após sua saída do presídio de Bangu, o ex-governador do Rio de Janeiro chamou o cantor e compositor baiano de “bobalhão”. O motivo da zanga de Cabral foi a participação de Caetano, em 2017, numa manifestação pública de apoio ao juiz federal Marcelo Bretas, responsável pelo julgamento dos crimes cometidos pelo político no âmbito da Lava Jato. Há poucos dias, Bretas foi afastado do cargo por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Espelho quebrado – um almirante e um tenente-coronel do Exército

O envolvimento direto de militares, entre eles o almirante de esquadra, Bento Aguiar; e o tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa, ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, acendeu um sinal vermelho na alta cúpula das Forças Armadas. O ofício enviado pelo gabinete da Presidência da República, datado 28 de dezembro de 2022 e assinado pelo então braço direito do presidente, na tentativa de recuperar as joias vindas da Arábia Saudita, é considerado pela chamada “ala profissional”, que tenta se manter longe das questões políticas, uma mancha difícil de apagar. Tais militares alegam que depois de um longo período em que a imagem das FFAA sofreu com denúncias de torturas, execuções etc., havia um processo lento, mas consistente de recuperação do apoio e o respeito da população. Um escândalo desse potencial, que ao que tudo indica acabará em processos e indiciamentos, inclusive de militares, chega em má hora. Há um consenso entre os militares mais preocupados com a imagem da instituição, de que muitos, inexperientes e atraídos pelas benesses do poder, não avaliaram as consequências de seus atos, tanto individualmente como institucionalmente. As FFAA são conhecidas pelo espírito de corpo, na defesa dos seus, mas nesse caso, devido às evidências, têm muito pouco que possam defender. 

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