Durante o período em que ocupou o ministério das Minas e Energia, Bento Albuquerque e sua comitiva já eram monitorados pelos auditores da Receita Federal devido ao grande número de viagens internacionais. Em apenas um ano, 2019, ele fez dez viagens para o exterior. Em 2020, com a pandemia, foram apenas três. Em 2021 retomou o ritmo, mesmo com as restrições impostas pela covid-19, seis viagens internacionais, incluindo a Arabia Saudita.
Joias das Arábias
Cada dia fica mais difícil para o clã Bolsonaro jogar para debaixo do tapete a história das joias milionárias que ganhou do ditador Mohammed bin Salman, numa estranha operação que coincide com a ida do filho 03, o Eduardo, às arábias. Aliás, coincidências e pontas soltas não faltam nesse enredo: o fundo de investimento árabe Mubadala ganhou a licitação no Brasil para a refinaria Landulpho Alves, na Bahia, obviamente, pela metade do valor que valeria. As joias equivalem a mais de 16 milhões de reais. Só Michelle, a quem seria destinado o mimo, não vê nada estranho no presente milionário. Pudera, já se imaginava uma sultana. De araque, é claro.
Joias das Arábias II
A foto de 2020 de Eduardo, o 03, a esposa Heloísa e a filha Geórgia, em Dubai, fantasiados de família real saudita, no melhor estilo Sheik de Agadir, melodrama da Globo de 1966, já era um indício da intimidade e bajulação do clã aos príncipes árabes. Há muito, os Bolsonaros já estavam de olho nos petrodólares dos sauditas. O que eles não sabiam é que a Receita Federal já estava de olho no entra e sai de autoridades brasileiras para o mundo árabe no governo do capitão. Já monitoravam as viagens internacionais do Almirante Bento Albuquerque e comitiva desde muito antes da apreensão das joias de Michelle em Guarulhos. Não demorou para dar o bote. Bolsonaro esperneou o quanto pode, mas as joias sauditas, agora, são do estado brasileiro. E sobrou para o Almirante se explicar. É mais um milico enredado em suas tramas, para desgosto do alto comando das Forças Armadas.
Vaga certa
O presidente Lula já deu mostras de que está decidido a escolher o seu advogado nos processos da Lava Jato, Cristiano Zanin, para a vaga do ministro Ricardo Lewandowski no STF. A menos que o próprio Zanin tenha outros planos, a próxima vaga na excelsa corte será dele. Em 134 anos de República, apenas uma vez, no governo de Floriano Peixoto (1891-1894), o Senado deixou de aprovar nomes indicados pelo chefe do Executivo para compor o STF.
Afinidades
Caso assuma mesmo a presidência do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o Banco dos Brics, Dilma Rousseff tem tudo para ficar numa situação bastante cômoda perante os seus novos patrões. Com Lula, de quem foi ministra e candidata a sua sucessão, a afinidade é total. Já com Xi Jinping, da China, e Vladimir Putin, da Rússia, que governam os seus países com mão-de-ferro, Dilma logo irá perceber as muitas afinidades que tem com ambos. Com Narenda Modi, primeiro-ministro da Índia, o populismo é um elo fortíssimo, e com Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, os escândalos de corrupção são o ponto em comum.
E a Damares mergulhou, sumiu
Muitos em Brasília têm se perguntado pela senadora Damares Alves. Aquela dos Yanomami, mas, principalmente, aquela para quem Michelle Bolsonaro fez campanha no Distrito Federal, e para quem gritava de cima do palanque: Damares, eu te amo! E, de mãos dadas com Celina Leão, hoje governadora interina da DF, fazia orações e conclamava a Deus pelos votos em Damares. E agora que a amiga tá “nas páginas” por causa das joias árabes, a senadora amiga sumiu. Nem uma entrevistazinha, um post nas redes, nada. Tomou doril. Ou como dizemos, mergulhou.
Juscelino e seus cavalos de raça permaneceram na Esplanada
Gleisi Hoffmann bem que tentou. Convocou a militância alojada na imprensa, carregou nas redes, foi para cima do ministro das Comunicações. Não adiantou. Juscelino, todos os seus cavalos de raça, o voo no avião da FAB, a estrada nas fazendas da família com recursos do orçamento secreto, permaneceu na Esplanada dos Ministérios. Um Lula mais pragmático, de olho nas votações do Congresso Nacional, onde tem uma base difusa e incerta, manteve o ministro em sua cadeira. O União Brasil, que ensaia uma Federação com o PP, legenda que abriga Juscelino, venceu a queda de braço. Mas que não fique tranquilo. Os votos serão cobrados.
Genro de ex-presidente da OAS dá um prejuízo de R$10 milhões à CEF
Pedro Guimarães, ex-presidente da Caixa, que de lá saiu com acusações de assédio sexual, acaba de dar mais um prejuízo à Caixa Econômica Federal. Ela teve que pagar R$10 milhões para fazer um acordo, já que a situação de Pedro, embora grave, ele ainda não sofreu nenhuma punição. E ele é genro de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, e, por incrível que pareça, ainda circula com o ex-presidente Jair Bolsonaro. A grande pergunta que se faz é: quando ele será preso?
Agrava-se a situação do casal Michelle e Jair Bolsonaro. Para onde foi a outra caixa de joias milionárias?
A Receita Federal cancelou o leilão após as joias virarem possível prova contra o casal Bolsonaro. Mas, ontem, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a CGU queriam saber onde está a outra caixa com joias milionárias que teriam sido presenteadas para o ex-presidente da República. Os filhos de Bolsonaro entraram num circuito e estão pedindo a ele para que não volte ao Brasil tão cedo. A situação se agrava.
As joias de Michele, um bom roteiro policial
Se não fosse a vida real da política brasileira, o enredo das joias de Michelle daria um filme ridículo, mas divertido, das trapalhadas do governo para entregar as joias de mais de R$ 16 milhões para o casal Bolsonaro. Ministros de três pastas, oficiais, viagens, troca de ofícios entre ministros, pressão de todos os lados. Na outra ponta, funcionários da Receita Federal de Guarulhos segurando o rojão. E que rojão! Tudo porque os mimos árabes teriam que ficar nos arquivos do governo brasileiro e não poderiam ser levados nas bagagens das mudanças de vossas excelências ao deixarem o governo e voltarem para suas casas. Durante mais de um ano esse imbróglio transitou entre o Planalto e a Esplanada dos Ministérios, a Polícia Federal, a Receita Federal, e quem mais fosse acionado.
Valdemar Costa Neto vai escapando dos Bolsonaros
Os movimentos do presidente do PL, que tem a maior bancada da Câmara, com 99 deputados, vão, aos poucos, levando o partido de volta ao Centrão, se afastando, cuidadosamente, dos bolsonaristas “raiz”. Começou pela Assembleia Legislativa de São Paulo, onde negociou os cargos mais importantes sem consultar Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Ricardo Salles. Fez alianças com todos os lados e apoiou até indicados pelo PT. Seu eterno marqueteiro, Duda Lima, assessora o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, do MDB. E assim Valdemar vai montando seu quebra-cabeça para não perder força partidária, uma vez que Bolsonaro se encastelou nos EUA e teme voltar ao Brasil.
Produtores rurais da Bahia reagem às invasões
Em mais de três fazendas invadidas no sul da Bahia, os produtores rurais conseguiram expulsar os membros do MST com a ajuda de policiais. Em Jacobina e Santa Luzia, os invasores chegaram munidos de facões e motosserras, ameaçaram os fazendeiros, e já tinham começado a fazer a derrubada. Fazendeiros vizinhos se juntaram e, junto com a polícia, obrigaram os invasores a entrarem de volta nos ônibus e foram escoltados até a saída das terras. Enquanto isso, em Brasília, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, do PT, faz discursos de desapropriar terras que não cumprirem “função social”, seja lá o que isso for. Não vai ajudar o governo Lula, que já não é mesmo bem-visto pelo setor produtivo do país.