O envolvimento direto de militares, entre eles o almirante de esquadra, Bento Aguiar; e o tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa, ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, acendeu um sinal vermelho na alta cúpula das Forças Armadas. O ofício enviado pelo gabinete da Presidência da República, datado 28 de dezembro de 2022 e assinado pelo então braço direito do presidente, na tentativa de recuperar as joias vindas da Arábia Saudita, é considerado pela chamada “ala profissional”, que tenta se manter longe das questões políticas, uma mancha difícil de apagar. Tais militares alegam que depois de um longo período em que a imagem das FFAA sofreu com denúncias de torturas, execuções etc., havia um processo lento, mas consistente de recuperação do apoio e o respeito da população. Um escândalo desse potencial, que ao que tudo indica acabará em processos e indiciamentos, inclusive de militares, chega em má hora. Há um consenso entre os militares mais preocupados com a imagem da instituição, de que muitos, inexperientes e atraídos pelas benesses do poder, não avaliaram as consequências de seus atos, tanto individualmente como institucionalmente. As FFAA são conhecidas pelo espírito de corpo, na defesa dos seus, mas nesse caso, devido às evidências, têm muito pouco que possam defender.