A fênix do PL

Imbuído de um espírito patriótico, o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, diz que vai punir com expulsão a turma do PL que participou dos atos terroristas de Brasília. Se assim for, vai faltar filiado para as atividades partidárias. Bolsonarista neófito não sabe exatamente para que lado vai. Aliás, um dos milagres do Bolsonarismo foi ressuscitar essa figura que parecia definitivamente enterrada. E eis que ele ressurge poderoso, falando grosso. Num país minimamente sério, personagens desse quilate estariam impedidos de fazer política ou atrás das grades. Aliás, Valdemar já vivenciou essa experiência por longo período e parece não ter tirado proveito desse tempo para uma reflexão. Não fosse a mão firme do ministro Alexandre de Moraes e continuaria por aí denunciando a fragilidade das urnas, fragilidade essa que lhe deu tantos cargos eletivos. A ficha corrida de Valdemar é impressionante e competiria com gente famosa e nem tão boa assim. No entanto, após constatar que as prisões são para valer, resolveu se precaver. A multa de 26 milhões ao PL ainda dói e mais umas férias por conta do Estado não estão nos planos.

Di Cavalcanti 

Restauradores de obras de arte em todo o país andam indignados com a possibilidade, anunciada, de não restaurarem o painel de Di Cavalcanti que estava exposto no Palácio do Planalto e teve sete furos feitos com uma barra de ferro durante a invasão do domingo, dia 8 de janeiro. Segundo os profissionais, a restauração não é tão difícil quanto as obras danificadas por fogo ou ácido, por exemplo. Mas alertam que, quanto mais o tempo passa, mais os fios se esgarçam, mais difícil emendar as tramas. A memória do dia 8 ficará preservada do lado de trás do painel, nas cicatrizes do próprio restauro. Deixar de restaurar uma obra dessa magnitude por ideologia é contribuir para o dano que foi causado. “O restauro é sinal de resiliência. Tem mais ética que preconceito” afirmam. Com a palavra o Sr. Leandro Grass, presidente do Iphan, subordinado ao Ministério da Cultura.

A verdade vai se revelando

Com a divulgação, pelo Senado e pelo Planalto, das imagens do circuito interno das câmeras de segurança, vão se revelando autores, cúmplices, e a vontade visível de destruir, depredar e agredir os objetos que estavam dentro dessas instituições. No Salão Negro do Congresso, um casal de vigilantes terceirizados se assusta e sai correndo com o estrondo da primeira janela estilhaçada, seguida de vários outros estrondos. Vândalos soltam rojões, a fumaça aciona os sprinklers, que alagam o salão. Além disso, os vândalos combatem os policiais legislativos usando mangueiras de incêndio, aumentando o alagamento. Na Câmara, uma turma entrou pela Chapelaria. Uma parte subiu para o Salão Verde, outra parte ficou no térreo, depredando a sala de reuniões do Colégio de Líderes e algumas salas do Corredor das Lideranças, principalmente a do PT, onde não ficou nada inteiro. Outros integrantes da turba, do lado de fora do prédio, retiraram os gradis que ficam em cima do jardim interno do Salão Verde e desceu usando grades de proteção como se fossem escadas. Vandalizaram a galeria dos 46 presentes de autoridades estrangeiras, protegidos por vidros, foram quebrados. Desses, dois foram roubados, e mais de dez danificados. As imagens feitas por Bruno Spada, fotógrafo da Câmara, revelam um desejo insano de destruição. Mas até agora as imagens divulgadas não esclareceram as dúvidas do presidente Lula, reveladas por ele no café com os jornalistas: se as portas do Palácio do Planalto foram abertas por quem fazia a segurança, para facilitar a entrada dos vândalos. E os donos desse mistério, pelo jeito, guardam essas imagens com cuidado absoluto. 

Preocupação do Agro

Qual uso o Ministério do Meio Ambiente e as ONGs nele agregadas vão fazer do CAR (Cadastro Ambiental Rural)? No decreto editado pelo governo Lula, ele saiu da área da Agricultura (onde estava desde que foi criado, em maio de 2012, no governo Dilma) e transferido para o MMA. A possibilidade de instalar uma insegurança política no meio é o assunto que mais preocupa a bancada ruralista no Congresso. Criado pelo Novo Código Florestal Brasileiro, o CAR abrange propriedades no Brasil inteiro e consegue mapear, por satélite, todas as propriedades rurais do país. Através dele, é possível identificar as áreas desmatadas e as preservadas, inclusive as nascentes. 

Mãos à obra!

O presidente Lula tem tentado fazer com que os ministros nomeados se envolvam com suas pastas e demonstrem apetite pelo trabalho. A urgência é afastar o governo da tensão que vive desde antes da posse e tem mergulhado o noticiário numa sucessão de pautas negativas. Até as invasões, de onde se podem tirar dividendos políticos, dividem opiniões e tiram o brilho do novo governo. Mas ainda é cedo e não está fácil destravar a máquina.

Caso Americanas – de quem é a responsabilidade I

O recente rombo anunciado pelas Lojas Americanas, que pode chegar a R$ 40 bilhões, é mais uma demonstração de como o mercado de capitais no Brasil é frágil e encarado pelos seus principais atores com falta de seriedade. Até agora, o que se ouve de notícias no mercado é algo devastador, primeiro um rombo desse tamanho, segundo a empresa é auditada por uma das maiores empresas de auditoria do mundo, a PWC, terceiro a CVM e a B3 deixaram passar tais bombas, demonstrando critério zero de controle das empresas listadas na bolsa. Todos esses atores devem ser duramente responsabilizados.

Caso Americanas – de quem é a responsabilidade III

A diferença do caso americano para o brasileiro é que os acionistas de referência das Americanas possuem lastro para reparar os prejuízos causados pelo escândalo, podendo facilmente aportar valores na empresa a fim de impedir que aconteça o que aconteceu na última semana, os papéis da empresa caíram mais de 80%. São milhares de investidores que acreditaram na empresa e nos seus controladores e investiram as economias de uma vida nas ações que agora foram reduzidas a quase nada e podem cair ainda mais. Ou as autoridades pedem logo o bloqueio dos bens e prisão dos envolvidos, ou o Brasil vai de vez para o fundo do poço em termos de credibilidade no mercado de ações, e isso repercutirá para todo o mercado.

Moura Dubeux na mira 

Outra empresa listada na bolsa de valores que o mercado já vem olhando com desconfiança é a construtora pernambucana Moura Dubeux, pois ela enfrenta sérias acusações de condutas irregulares perante seus clientes, e uma empresa que conduz mal seu negócio com seus clientes, não se duvida que conduza mal também em relação a seus balanços. Agora, mais do que nunca, a B3 e a CVM devem olhar com lupa para a empresa a fim de não permitir que novos escândalos surjam no mercado de capitais brasileiro.

A carapuça espera voluntários

O Comando Militar do Planalto (Exército) abriu um Inquérito Policial Militar-IPM e está investigando o coronel da reserva Adriano Camargo Testoni. Ele já sofreu uma punição; foi demitido do cargo que ocupava no Hospital das Forças Armadas, em Brasília. Em vídeo, que circula nas redes sociais, Testoni xinga oficiais superiores e o próprio Exército durante o ato extremista, em Brasília. Consciente das implicações, gravou um pedido de desculpas, daqueles que a gente conhece. O IPM não se refere à participação do coronel nos atos promovidos pela extrema-direita, mas às ofensas. É um bom começo, mas ainda insuficiente diante da gravidade do que aconteceu. Uma tentativa de golpe, como bem disse o ministro da Justiça. Punir o coronel da reserva é uma resposta, ainda que tímida, sobre o papel lastimável que militares representaram nesse episódio. O silêncio das Forças Armadas é constrangedor e comprometedor. Não são ilações vagas, o número de vídeos que circulam nas redes sociais mostrando apoio, cumplicidade e, inclusive, proteção aos terroristas exige uma resposta mais contundente. O presidente Lula, sempre tão conciliador, foi taxativo, as Forças Armadas não são “poder moderador” como pensam que são. E mais, têm que defender o povo e a soberania nacional e não fazer política.

Amnésia Conveniente

Desde que Celina Leão assumiu o cargo de governadora interina do Distrito Federal, desapareceu da imprensa parte de sua recente atuação política. Ninguém mais lembra que ela, além de participar ativamente da campanha eleitoral de Damares em Brasília, foi a líder, junto com Michele, da caravana de Bolsonaro pelos estados do Norte e Nordeste. Incrível é que isso não tem nem dois meses. Só o que se divulga na imprensa é o “incrível bom relacionamento com Flávio Dino”. Ciro Nogueira, presidente do PP de Celina, faz cara de paisagem diante das mudanças da correligionária. PP e MDB travam, nos bastidores, uma guerra política e jurídica pelo governo do Distrito Federal. 

Redenção da Globo

Mesmo os maiores críticos do Jornalismo da Globo reconhecem o excelente trabalho investigativo exibido neste domingo (15/01) pelo Fantástico. Se havia dúvidas sobre o caráter criminoso, terrorista e golpista dos lamentáveis acontecimentos do oito de janeiro, estão dissipadas. Exército, PM de Brasília e o governo do Distrito Federal, como já era esperado, ficaram “mal na foto”; mas outros tantos personagens irromperam da tela como parte de uma trama nojenta e degradante. Cumprir a Lei e punir esses cidadãos de bem é o mínimo que se espera. Desde já a reportagem do Fantástico é uma peça de acusação importante.

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