Restauradores de obras de arte em todo o país andam indignados com a possibilidade, anunciada, de não restaurarem o painel de Di Cavalcanti que estava exposto no Palácio do Planalto e teve sete furos feitos com uma barra de ferro durante a invasão do domingo, dia 8 de janeiro. Segundo os profissionais, a restauração não é tão difícil quanto as obras danificadas por fogo ou ácido, por exemplo. Mas alertam que, quanto mais o tempo passa, mais os fios se esgarçam, mais difícil emendar as tramas. A memória do dia 8 ficará preservada do lado de trás do painel, nas cicatrizes do próprio restauro. Deixar de restaurar uma obra dessa magnitude por ideologia é contribuir para o dano que foi causado. “O restauro é sinal de resiliência. Tem mais ética que preconceito” afirmam. Com a palavra o Sr. Leandro Grass, presidente do Iphan, subordinado ao Ministério da Cultura.