Prima-dona

O que o economista André Lara Resende tem de genial, tem de arrogante. Quem no Planalto achar que é uma boa ideia nomeá-lo para a presidência do Banco Central não sabe a confusão que irá comprar. Estudioso metódico das ciências econômicas e conhecedor do mercado, Lara Resende é o que se chama vulgarmente de professor de Deus. Uma vez no posto de comando da autoridade monetária, não dará a menor bola para os chiliques do ministro da Fazenda ou mesmo do presidente da República. Se dúvidas houvesse, a entrevista ao “Canal Livre”, da Band, tratou de dissipá-las.

Auxílio mercenário 

Acostumado a aliciar pelo dinheiro, Bolsonaro criou um exército particular às custas do Auxílio Brasil. Nada mais, nada menos do que 70 mil militares recebiam o benefício a que não tinham direito. Imoral. Agora, vão responder pela retirada ilegal que o governo do capitão promoveu em uma das suas múltiplas tentativas de compra de votos com dinheiro público. A descoberta ajuda a entender porque tantos militares da ativa e da reserva estavam nas portas dos quartéis bradando pelo golpe de estado. Tudo pago. E ilegal.

Auxílio mercenário II

Não foram só os militares pegos com a boca na botija. São outros mais de dois milhões de “patrióticos” que recebiam como carentes, quando, na verdade, a carência era de vergonha na cara. O governo Lula está fazendo um arrastão na farra com o dinheiro público e tem descoberto barbaridades. Ainda tem mais por vir, porque em se tratando de Bolsonaro, a falta de moralidade não tem fim. É de cair o queixo.

A sombra das grades em Miami

Os arroubos de prepotência e as frases virulentas, como “não sou coveiro” ou “no meu governo, não foi demarcada nenhuma terra indígena” estão escasseando e gradualmente o ex-presidente vai despertando de seu delírio autoritário e encarando a dura realidade. Tudo indica que seu destino num futuro próximo é a prisão. E contrariando seu estilo fanfarrão, ele mesmo já admite. Na constrangedora entrevista que deu ao jornal norte-americano Wall Street Journal, garantiu que volta ao Brasil em março e reconhece que pode ser preso devido aos atos golpistas de oito de janeiro, “Uma ordem de prisão pode surgir do nada” deixa escapar um Bolsonaro visivelmente preocupado e abatido. O ex-presidente evitou o tema que tanto teme, a acusação de genocida. Sabe ele que são fartas, contundentes e convincentes as provas de genocídio em função do pífio desempenho do governo federal durante a crise provocada pela Covid-19. 

A sombra das grades em Miami II

Na sua ignorância em política e, principalmente, em política externa, Bolsonaro não avaliou o impacto que o desmatamento na Amazônia, uma pauta universal e que conta com o apoio de quem decide no mundo, ou seja, o G7; causaria. Radicalizado pela ação criminosa dos garimpeiros, que contaram com a descarada conivência do governo; o drama dos Yanomami não só comoveu o mundo como parece ter selado o destino do “capitão”. A recepção de Joe Biden a Lula e o destaque da pauta ambiental não deixam dúvidas. E a volta em março não é uma decisão, é uma imposição do Departamento de Estado norte-americano. Hamilton Mourão, Ricardo Salles e Damares Alves, mesmo protegidos por seus mandatos parlamentares, devem “botar as barbas de molho”, assim como os ex-dirigentes do IBAMA e Funai.

Bolchevique de butique

A bronca pública da deputada Gleisi Hoffmann, presidente do PT, no seu colega de partido Washington Quaquá (PT-RJ) em nada contribui para o restabelecimento de um ambiente de pacificação nacional. Gleisi subiu pelas tamancas ao ver nos jornais e redes sociais um sorridente Quaquá abraçar Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde de Jair Bolsonaro e deputado eleito pelo PL do Rio de Janeiro. Se os parlamentares, que têm obrigação natural de conversar, não puderem se dar ao luxo de uma convivência minimamente civilizada com os adversários políticos, só irá restar, no extremo, os cumprimentos finais diante de um paredão. Lá, Gleisi estaria à vontade, de mãos ocupadas e uma boina vermelha a encobrir os cachos dourados.

Ainda o bolchevismo

Ao que parece, o deputado Washington Quaquá (PT-RJ) é muito bom de conversa e não dá bola para o bolchevismo, mesmo o de butique. Com a guinada do prefeito Eduardo Paes à esquerda, visando enfrentar o candidato bolsonarista em 2024, Quaquá conseguiu emplacar o filho Diego Zeidan na Secretaria de Desenvolvimento Econômico Solidário da Prefeitura do Rio. Solidariedade em família é muito melhor, gostem ou não os bolcheviques.

O cachorro mordeu o homem

Há jornalistas que devem voltar com urgência aos bancos da escola. É o caso do repórter do Valor Econômico e do sub da coluna da Miriam Leitão, do Globo, que participaram do Roda-Viva, na TV Cultura, com o presidente do Banco Central. Um, seguido do outro, quis saber se Roberto Campos Neto havia ido votar com a camisa amarela da seleção brasileira. A artimanha de foca tinha o objetivo de vincular o presidente do BC a Jair Bolsonaro, que o nomeou para dirigir a instituição. Elegante como um espadachim renascentista, Campos Neto conseguiu desviar dos golpes pueris da dupla. Um cidadão tem o direito de comparecer à seção eleitoral vestido com roupas em qualquer tom existente na mais ampla paleta de cores. Haveria o que noticiar se Campos Neto tivesse saído de casa para votar trajando uma vistosa camisa vermelha. Como ensinavam os manuais de jornalismo, se o cachorro morder o homem não é notícia, mas se o homem morder o cachorro, é notícia.

Lula investe no Nordeste

Não é sem razão que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva investe no Nordeste. Foi naquela região que ele garantiu sua vitória e, pelo trabalho que tem desenvolvido sua equipe ministerial, ele vai dobrar o número de votos e, com isso, dificilmente o PT não vai ser mais uma vez o destaque das eleições presidenciais. É impressionante o número de obras que o atual governo vem promovendo naquela região do país. Agora, com a ação do governo na Amazônia, ali pode se tornar também um bunker de milhões de votos para o PT. E ainda há quem pense que Bolsonaro pode voltar ao poder.

Onde estão os funcionários públicos mais bem pagos do país

Claro que eles estão cruzando os céus do país em algum voo nacional ou internacional. Com o seu, o meu, o nosso dinheiro. Deputados, senadores, ministros, graduados do judiciário fazem do aeroporto JK de Brasília, uma grande feira de gente apressada, atrasada, querendo deixar pra trás a capital do país. A Câmara Federal e o Senado abriram expediente hoje. Fizeram sessões extraordinárias. Os deputados, por exemplo, podiam registrar presença às 6:00 horas da manhã e pegarem, assim, o voo mais cedo possível. Só voltarão ao trabalho no próximo dia 28. Voltaram do recesso outro dia. As reformas que o Brasil precisa implementar para melhorar a vida dos brasileiros, essas podem esperar. Aliás, esperam há anos.

Yanomami não será assunto vencido tão cedo

O Hospital de Campanha instalado em Roraima é o único lugar, um pouco mais decente, onde os Yanomami recebem atendimento. É tão precária a situação e tão urgentes as providências, que faz dó para descer aos detalhes. O maior problema é a água potável. Os rios contaminados seguem espalhando as doenças, por fora e para dentro do corpo. Como não tomar banho? Ou cozinhar? Ou matar a sede? As contribuições de alimentos chegam. Precisam ser não perecíveis. Chegam muitos enlatados, mais resistentes aos lançamentos dos paraquedas. A imensa maioria do que chega precisa de reunião com os indígenas para ensinar como usar. São itens desconhecidos por eles. Nunca vistos para a grande maioria. Uma tarefa que necessita de humanidade, compaixão, solidariedade e humildade sobretudo.

Um governo que nunca olhou para seu estado

Como imaginar que o governador de Roraima, Antonio Denarium e sua família fossem se preocupar com os Yanomami se eles atrapalham o lucro de seus negócios. A Polícia Federal estima que o lucro gerado pelo ouro ilegal que sai do país é em torno de R$ 10 bilhões. A pergunta é: onde está a Receita Federal? O controle do espaço aéreo? A alfândega? A polícia de fronteiras? A teia que se formou em Roraima é digna de contos policiais. Puxa um fio, desenrola um novelo. A presença da Polícia Federal e dos militares nos territórios indígenas é necessária pela grande cadeia de lucro que acontece na região. Os empresários estão lá em cima em suas aeronaves. Aqui embaixo dezenas de comerciantes giram a economia que sustenta mais de 20 mil garimpeiros. Combustível, alimentação, diesel, artigos de primeira necessidade. Quase todo mundo em Roraima tem um amigo, parente, fornecedor ou conhecido, no garimpo. Inclusive os policiais, claro!

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