O cachorro mordeu o homem

Há jornalistas que devem voltar com urgência aos bancos da escola. É o caso do repórter do Valor Econômico e do sub da coluna da Miriam Leitão, do Globo, que participaram do Roda-Viva, na TV Cultura, com o presidente do Banco Central. Um, seguido do outro, quis saber se Roberto Campos Neto havia ido votar com a camisa amarela da seleção brasileira. A artimanha de foca tinha o objetivo de vincular o presidente do BC a Jair Bolsonaro, que o nomeou para dirigir a instituição. Elegante como um espadachim renascentista, Campos Neto conseguiu desviar dos golpes pueris da dupla. Um cidadão tem o direito de comparecer à seção eleitoral vestido com roupas em qualquer tom existente na mais ampla paleta de cores. Haveria o que noticiar se Campos Neto tivesse saído de casa para votar trajando uma vistosa camisa vermelha. Como ensinavam os manuais de jornalismo, se o cachorro morder o homem não é notícia, mas se o homem morder o cachorro, é notícia.

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