Solução para baixar os juros

Ao invés de perseguir o presidente do Banco Central para reduzir os juros estratosféricos no Brasil, o presidente Lula deveria mirar sua artilharia no corte de gastos da ineficiente máquina pública, manter privatizações que geram investimentos privados e atraem capital estrangeiro, bem como prestigiar o agronegócio brasileiro, principal fonte de divisas externas para o país. Infelizmente, Lula continua no palanque e sem qualquer medida concreta para resgatar a credibilidade do país perante os credores da dívida pública.

Quem não chora, não mama

Grandes empreiteiros da Lava Jato têm tentado sensibilizar o presidente Lula para que ele abra os cofres do tesouro e dos bancos públicos para resgatar a “engenharia nacional”. Sem capital de giro e com grandes restrições de crédito, as gigantes nacionais têm perdido grandes obras para empreiteiras espanholas, como a Acciona, ou empreiteiras menores controladas por grupos chineses. Se quiser lançar como pretende o chamado PAC 3, Lula não terá outra opção a não ser resolver o problema. A inspiração para a solução deve vir dos Estados Unidos e é defendida por membros do Conselhão, como o advogado Walfrido Warde. Para preservar os interesses nacionais, por lá os grandes conglomerados sempre foram protegidos pelo governo, mesmo após escândalos de corrupção.

A natureza do escorpião

Restou provado que não adiantou nada a moderação e até mesmo elegância com que o então candidato ACM Neto tratou o presidente Lula durante a campanha eleitoral do ano passado. Tudo bem que o comportamento comedido de Neto representava um risco político calculado, com vistas a atrair os eleitores de esquerda na sua corrida ao Palácio de Ondina. Na primeira oportunidade, no entanto, Lula mostrou a natureza do escorpião, que é a de picar, independentemente de que a vítima, mesmo que a contragosto, o tenha ajudado a atravessar o rio.

Polígrafo nele

Quem começou a ler o recém-lançado livro de Emílio Odebrecht – “Uma Guerra contra o Brasil: como a Lava Jato agrediu a soberania nacional, enfraqueceu a indústria pesada brasileira e tentou destruir o grupo Odebrecht” – ficou com a impressão de que o capo da empreiteira não resistiria a uma sessão num detector de mentiras, nem que tentasse pela 51ª vez. Como o Brasil não admite o uso do polígrafo e nos Estados Unidos a Odebrecht foi prudente ao fechar um acordo com o Departamento de Justiça para pagar US$ 2,6 bilhões de multas da Lava Jato, Emílio Odebrecht pôde escrever, pela pena amiga de um bem-remunerado ghost writer, o que bem quis, criando uma narrativa ao estilo das novelas de cavalaria. Já se fosse submetido a um polígrafo, o “autor” e seu heroísmo de ocasião cairiam do cavalo.

Coincidências intrigantes

São inúmeras as coincidências entre o ex-primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, preso por corrupção e solto em seguida pela Suprema Corte do seu país, e o presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva. Além do caso da prisão e soltura, ambos são septuagenários carismáticos, gozam de grande popularidade, prometeram lutar contra a pobreza, são donos de partido político – no caso de Khan, o PTI – Pakistan Tehreek-e-Insaf –, mantêm relações tumultuosas com os militares e foram acusados de receber propinas de agentes privados em negócios com o setor público. E a última das coincidências: ambos negam peremptoriamente as acusações.

Estupidez de além-mar

Não é de hoje que o Brasil importa, para o bem ou para o mal, as novidades jurídicas surgidas em Portugal. Agora, entrou em vigor naquele país uma lei que determina que a distribuição eletrônica dos processos, feita por sorteios operados por um oficial de justiça, deve ser acompanhada presencialmente por um juiz, um representante do Ministério Público e um advogado, este de modo facultativo. O trio terá a função de observar se o oficial de justiça abriu o programa de informática específico e se clicou na tecla correta. Terminado o ato, o juiz, o procurador e o advogado assinam a respectiva ata. A novidade passa a valer para todos os processos que dão entrada diariamente, em todos os tribunais do país. O que se espera é mais lentidão de uma justiça conhecida por ser demasiado morosa.

Lula foi à Bahia para recolocar ACM Neto na mídia nacional

Desde que perdeu a disputa para o governo da Bahia, ACM Neto entrou em total reclusão e até do estado sumiu. Ocorre que, na última quinta-feira, o presidente Lula foi à capital baiana para uma série de eventos. O problema foi que sem nenhuma habilidade, começou a atacar ACM Neto, chamando-o de “grampinho”, e até o velho ACM. Evidente que o fato ganhou o noticiário nacional durante toda a noite nas TVs, rádios e jornais. E nas redes sociais amigas do ex-prefeito não faltaram ataques também a Lula, lembrando que uma vez o senador ACM, na tribuna do Senado, apontando o dedo para o Palácio do Planalto, chamou Lula de “gatuno” e não teve resposta. O fato é lamentável porque política se faz com razão e não com o fígado. Quer queira, quer não, embora não seja flor que se cheire, ACM Neto é o político que tem 70% dos votos em pesquisas na capital baiana.

Eduardo Bolsonaro foi autor da nomeação de Anderson Torres para ministro da Justiça

Pouca gente sabe que Eduardo e Anderson são colegas da PF. Eduardo como datiloscopista, que nunca foi emprego, foi ele que indicou ao pai Anderson para ministro da Justiça. Torres foi solto após 117 dias preso, mas saiu com uma série de processos nas costas e com suspeita de que vazamentos de vários diálogos seus comprometem o ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Um brilhante jornalista é destacado

Um dos melhores jornalistas brasileiros, que já atuou nos mais importantes jornais do país, na Assembleia Geral dos Diários Associados acaba de ser eleito como presidente da Comissão Plenária do Condomínio. Seu nome é Josemar Gimenez, a quem a imprensa deve respeito pelo seu talento e sua competência profissional. Minas está de parabéns pelo filho que tem. 

Venda de sentença

A Corte do Superior Tribunal de Justiça decidiu tornar réus a desembargadora Maria da Graça Osório, do Tribunal de Justiça da Bahia, o empresário Adailton Maturino dos Santos e mais três investigados por suposto esquema de venda de sentenças judiciais. Os ministros concluíram haver indícios de autoria e materialidade na denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal e determinou abertura de ação penal sobre crime de corrupção e lavagem de dinheiro. Como se vê, o poder judiciário da Bahia é o que tem maior número de denúncias e maior número de punições. 

Prisão de aliados de Bolsonaro morna CPMI dos atos de 8 de janeiro

Com a prisão de aliados de Bolsonaro há alguns dias, o Congresso passou a empurrar com a barriga a CPMI de 8 de janeiro. A ideia é acalmar os ânimos para ver se melhora o clima para as pautas mais urgentes, como o arcabouço fiscal. Polícia Federal e Ministério Público já saíram na frente e, na primeira delação premiada que sair, a coisa vai se complicar. Bolsonaro está há mais de um mês sem postar nenhuma nota e seus quatro filhos também estão silenciosos. O buraco é mais embaixo.

Milicianos de Bolsonaro baixaram a bola

A segurança do grupo Doria não teve muito trabalho no Lide Brazil Investiment Forum. Em novembro do ano passado, a turma aliada a Bolsonaro fez plantão na porta do hotel para xingamentos numa sensação térmica de 2 graus. Agora, diante de um clima ameno de primavera, não compareceu ninguém. Sinal de que o bolsonarismo perdeu o ímpeto e recursos para financiar os atos. A crise chegou também para eles. 

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