Esvaziando as gavetas

A exemplo do antecessor, o prefeito Bruno Reis trouxe uma pessoa de fora para comandar a Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz). De Niterói, onde já exercera a mesma função, chegou Giovanna Victer. Teria sido indicação de Mauro Ricardo, o homem da Sefaz de ACM Neto. Sob ele pesa a mácula de ter elevado o IPTU às alturas e causado disparidades absurdas na cobrança do tributo entre imóveis com as mesmas características. Fez a maldade dele com o contribuinte soteropolitano e pegou o chapéu ao término de dois anos de gestão. Giovanna, que aumentou em 50% a alíquota da taxa de lixo sem nunca ter dado uma explicação convincente para tamanha majoração, ganhou um prazo de validade mais prolongado na secretaria. Com dois anos e quase cinco meses, tudo indica que, cumprida a perversidade tributária, está esvaziando as gavetas. Não deixa saudade aos servidores que a acusavam de assédio moral. Tem denúncia no MP.

A ficha caiu

Demorou, mas agora a ficha caiu para uma parte da imprensa não identificada com o bolsonarismo em relação aos excessos da cúpula do poder judiciário e suas decisões monocráticas, interpretações criativas e, na visão de muitos juristas, atropelos diversos ao devido processo legal e às leis, inclusive à Constituição. Após editoriais recentes do jornal O Estado de S. Paulo, chegou a vez de Malu Gaspar, no Globo, perceber a armadilha na qual o país caiu. “Daí dizer que o STF precisava cometer arbitrariedades para combater o arbítrio vai uma longa distância”, argumentou a jornalista, para quem os juízes da Corte Suprema “continuam a agir como se tivessem poderes extraordinários para praticamente tudo.” Autora do livro “A organização”, sobre a Odebrecht e os esquemas de corrupção nos governos do PT, Malu Gaspar concluiu o seu artigo com uma advertência: “O risco é um dia olharmos para essa quadra da História e percebermos que, de tanto querer defender a democracia, acabamos por ajudar a dilapidá-la mais ainda. Com Supremo, com tudo. Tomara que não seja tarde demais.”

O Brasil faz escola

Líder político bastante popular, o ex-primeiro-ministro do Paquistão Imran Khan foi preso esta semana pela agência de combate à corrupção do seu país e libertado dois dias depois por decisão da Suprema Corte, que invalidou a sua prisão. Imran Khan, de 70 anos, governou o Paquistão de 2018 até abril de 2022, quando perdeu a maioria no parlamento. Ele é acusado de ter vendido ilegalmente presentes do Estado durante o seu governo. Em sua defesa, o político diz que se trata de uma manobra do atual governo e das Forças Armadas para impedir a sua participação nas eleições deste ano. Nada do que não se tenha visto por aqui nos últimos anos.

O verdadeiro mercado de apostas esportivas no Brasil

Em meio a muitas versões a respeito do mercado de apostas esportivas, a ABL Data, empresa especializada no segmento de jogos online, decidiu ir a campo estudar a fundo o segmento. Chegou à seguinte conclusão: existem ao menos mil sites ativos no mercado brasileiro que movimentam juntos 328 a 410 milhões por dia. É muito dinheiro. Para efeito de comparação, no ano passado todo comércio eletrônico brasileiro vendeu diariamente R$465 milhões. 

Empresas brasileiras devem testar semana de 4 dias

A partir de agosto, as empresas brasileiras que se interessaram em experimentar a semana de quatro dias poderão se inscrever no projeto 4 Day Week Global. O objetivo é identificar o efeito da iniciativa mantendo salário integral dos trabalhadores que deverão trabalhar 80% do tempo, mas, eis aqui o desafio, mantendo 100% de produtividade. No Reino Unido, o experimento surpreendeu: 92% das empresas que participaram decidiram adotar em definitivo a semana de quatro dias. Será que dará certo no Brasil?

Se essa casa fosse minha

O mundo está caindo na cabeça da família Cid. Não bastasse a difícil situação do tenente-coronel Mauro Cid, vão aos poucos aparecendo conexões da família, pai e irmão, que levantam suspeitas; e suspeitas num momento delicado como esse, sempre animam investigações. Vai quê? Mauro Cid pai tem uma história cheia de pontas soltas na APEX, conhecida como um dos cabides de emprego de Bolsonaro e filhos. Agora aparece o irmão de Mauro Cid, o empresário Daniel Cid, já investigado pela Polícia Federal e STF por divulgação de fake news do esquema bolsonarista. Daniel é o feliz proprietário de uma cinematográfica mansão na exclusiva zona dos vinhedos, na Califórnia. Valor do imóvel, US$8,5 milhões, algo em torno dos R$40 milhões. Fosse num outro momento seria matéria de revista de arquitetura. Mas a maré não está para peixe. Outra casa da família, mais simplesinha, foi vendida há pouco por US$3,3 milhões, ou seja, mais de R$16 milhões. São valores expressivos mesmo para um empresário bem-sucedido nos EUA. Tudo que os Cid não querem agora é chamar a atenção.

Se essa casa fosse minha II

Para completar o inferno astral da família Cid, a Polícia Federal vai investigar um depósito de R$ 400 mil na conta do tenente-coronel Mauro Cid, realizado no ano passado e que pode conduzir para o terreno pantanoso da lavagem de dinheiro. O depósito, revelado pela Revista Veja, é do dia 25 de março de 2022. Quando foi preso, a PF apreendeu na casa de Cid, US$35 mil e R$16 mil, tudo cash. O depósito foi feito pelo tio da mulher de Cid, João Norberto Ribeiro. A PF já pediu a quebra do sigilo bancário do depositante. Não está sendo fácil.

Aquecimento eleitoral

Alguns nomes da política começam a se aquecer para a corrida ao Palácio Thomé de Souza, sede do poder executivo de Salvador. Já é dada como certa a candidatura à reeleição do prefeito Bruno Reis. O antecessor ACM Neto baixou o facho. Bruno agora trabalha na articulação de apoios. Para a vaga de vice, cada vez se fortalece mais o nome do deputado federal Leo Prates (PDT), o mais votado na capital baiana em 2022. A ida do atual presidente da Câmara Municipal, o vereador Carlos Muniz, para o PSDB, partido que hoje integra a sua base, também tirou uma pedra do caminho de Bruno. Quem desponta é o presidente da Conder, o ex-vereador José Trindade, o preferido do ministro Rui Costa (PT) e do senador Jaques Wagner para a disputa. Outros nomes tentam se habilitar para compor a chapa majoritária da esquerda, como as deputadas federal Lídice da Matta (PSB) e a estadual Olívia Santana (PCdoB). Pelo centro, aparece o deputado federal Antonio Brito (PSD) que tem conversado com o presidente estadual do PL, o ex-ministro da Cidadania, João Roma, que não descarta estar no páreo. Por sinal, Roma ultimamente em entrevistas já levanta bandeiras para uma possível campanha a prefeito de Salvador, a exemplo da liberdade econômica, que propõe melhorar o ambiente de negócios da cidade, desburocratizando os processos e reduzindo os impostos.

Delação de Anderson Torres

Como anunciado em primeira mão por este blog, o ex-ministro Anderson Torres está começando a delatar, já entregou o ex-diretor da PF, Márcio Nunes e, ao que se ouve em Brasília, a lista é grande. Do outro lado, há grande mobilização de membros da Polícia Federal para pedir que o mesmo seja demitido a bem do serviço público. Uma coisa é certa, ninguém mais tem dúvidas que o ex-ministro orquestrou centenas de blitz em locais onde Lula tinha mais votos, como a Bahia, para tentar dificultar o eleitorado de se deslocar pra votar, só resta ele delatar quem deu a ordem.

Uma gravação complica mais o ex-ministro

Ontem, a Polícia Federal divulgou gravação onde o ex-ministro Anderson Torres afirma que tinha que sequestrar alguns ministros do STF e escondê-los para deflagrar o golpe. Essa ele não pode desmentir porque a voz é dele. Ontem também, o ex-ministro foi solto devido a um habeas corpus depois de quatro meses na cadeia, mas vai responder por todos os crimes.

Polícia Federal entra em campo contra máfia das apostas no futebol

O presidente Lula e o ministro da Justiça Flávio Dino determinaram que a Polícia Federal investigue adulteração de placares nas séries A e B do Brasileirão. A lista de jogadores investigados no esquema de corrupção não para de crescer. Alguns foram afastados dos seus clubes.

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