Polígrafo nele

Quem começou a ler o recém-lançado livro de Emílio Odebrecht – “Uma Guerra contra o Brasil: como a Lava Jato agrediu a soberania nacional, enfraqueceu a indústria pesada brasileira e tentou destruir o grupo Odebrecht” – ficou com a impressão de que o capo da empreiteira não resistiria a uma sessão num detector de mentiras, nem que tentasse pela 51ª vez. Como o Brasil não admite o uso do polígrafo e nos Estados Unidos a Odebrecht foi prudente ao fechar um acordo com o Departamento de Justiça para pagar US$ 2,6 bilhões de multas da Lava Jato, Emílio Odebrecht pôde escrever, pela pena amiga de um bem-remunerado ghost writer, o que bem quis, criando uma narrativa ao estilo das novelas de cavalaria. Já se fosse submetido a um polígrafo, o “autor” e seu heroísmo de ocasião cairiam do cavalo.

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