A OAB divulgou os nomes dos candidatos a compor a lista sêxtupla que encaminhará ao STJ para escolha do novo ocupante da vaga que ficou aberta com a aposentadoria do ministro Felix Fischer. São 34 nomes e alguns são bem conhecidos. Daniela Teixeira, do Distrito Federal; André Godinho, da Bahia, que foi conselheiro do CNJ; Luiz Cláudio, do Espírito Santo, que também foi do CNJ e Mário Luiz Delgado, doutor pela USP e diretor do instituto dos advogados de São Paulo.
TSE julga Dallagnol
O Tribunal Superior Eleitoral analisa hoje um recurso de partidos que contestam a elegibilidade do deputado federal Deltan Dallagnol, do Podemos do Paraná. As agremiações argumentam que ele deveria ser barrado pela Lei da Ficha Limpa ao ter deixado a carreira de procurador, tendo pendentes processos do Conselho Nacional e Ministério Público. Além disso, às vésperas do julgamento deverá aparecer em vídeo com graves acusações ao decano do STF Gilmar Mendes. Hoje, a sorte dele será lançada.
Neta de nazista ataca Moraes
A deputada alemã da extrema direita Beatrix Von Storch chamou o ministro Alexandre de Moraes, ministro do STF e presidente do TSE, de “maior criminoso do Brasil”. A afirmação dada nas redes sociais acontece dias depois de uma reunião dela com o magistrado na Corte Eleitoral. Como se vê, os adeptos de Bolsonaro da ultra direita não perdoam Moraes.
Gilmar Mendes sobre Jair Bolsonaro
“Ao queimar todas as alternativas políticas e ter eleito Bolsonaro como um tipo de salvador da pátria, ele veio com discurso da não política, mas ninguém era mais político do que ele, que vivia familiarmente da política, colocava os familiares na política, profissional da política no pior sentido do termo”.
Ciro é o mesmo
Em Lisboa para evento internacional, Ciro Gomes voltou a atacar Lula, acusando-o de manter a corrupção. Isso foi no final da última semana, mas infelizmente ele mesmo disse que não pretende voltar à política. Uma pena. Preparado, mas sobretudo irreverente e grosseiro.
Os melhores e a melhor de Lula
A imprensa de Brasília, nesse início de governo Lula, destaca alguns nomes: o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin; o ministro dos Direitos Humanos, Sílvio de Almeida; o ministro da Justiça, Flávio Dino, e no naipe feminino Simone Tebet é o melhor nome do governo.
Até o pescoço
Num fim de semana sem novos personagens no noticiário político-policial, o nome do tenente-coronel Mauro Cid dominou as manchetes e alimentou os comentaristas, colunistas e blogueiros políticos. A registrar, o bom trabalho da Imprensa na cobertura do caso, com destaque para Revista Veja. Ainda como rescaldo das apreensões na casa dele, soubemos que a Polícia Federal encontrou certificados de propriedade de diamantes sauditas. Segundo a Polícia Federal, não há, no material, indicativo de que sejam referentes aos presentes de Bolsonaro ou a joias da família Cid. De quem serão? Mais uma “bronca” para Cid explicar. Os certificados estavam na cozinha de Cid. Mais uma boa metáfora. Para completar, Marcelo da Silva Vieira, então chefe do Gabinete Adjunto de Documentação Histórica (GADH), entregou voluntariamente à Polícia Federal (PF) as conversas com o tenente-coronel. Com a certeza de que os pedidos pouco republicanos serão revelados em toda sua crueza. Voltando à apreensão da PF, os agentes encontraram também pen drives espalhados pela casa de Cid e um caderno que, ao que tudo indica, se destinava a uma contabilidade paralela, com inscrições como “anotações políticas” e registros de pagamentos somando R$50.000.
Até o pescoço II
Soubemos também que conversas interceptadas pela PF revelaram trocas de mensagens entre Cid e duas assessoras da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, sobre pagamentos em dinheiro vivo, realizados por terceiros, de despesas da própria. Apesar de demonstrar, nos diálogos, preocupação com a forma pouco usual de saldar dívidas e alertar para a possibilidade de problemas futuros, Cid permite que operação siga em frente, o que o torna mais do que cúmplice de uma operação ilegal, que lembra uma prática já atribuída à família Bolsonaro, as “rachadinhas”. As gravações revelam que Cid trata diretamente sobre desembolsos, em espécie, com a assessora de Michelle, Giselle dos Santos Carneiro. A investigação comprovou que Michelle usava um cartão de crédito vinculado à conta de Rosimary Cardoso Cordeiro, amiga da ex-primeira-dama. As suspeitas já existiam, mas agora estão respaldadas por provas robustas, “Deus o livre, a imprensa descobre que ela é dependente da Rose, pode gerar algum problema”, diz uma das assessoras de Michelle, Cintia Borba, em áudio enviado à colega Giselle Nogueira em um momento de consciência do teor explosivo de prática. Já Cid, num momento profético, diz, “E isso sem contar a imprensa que quando a imprensa caiu de pau em cima, vai vender essa narrativa. Pode ser que nunca aconteça? Pode. Mas pode ser que amanhã, um mês, um ano ou quando ele terminar o mandato dele”. Mais realista impossível.
Até o pescoço III
Em Brasília, onde tudo se sabe, circulam rumores de que o pai de Mauro Cid, o general Mauro Lourena Cid, anda extremamente irritado. Acha que o filho foi abandonado. E foi ao Quartel General do Exército, em Brasília, para discutir a situação do filho. O general também tem visitado o filho regularmente. No entanto, o general é outro que precisa “medir as palavras”. Como amigo de longa data do ex-presidente, dirigiu a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos-APEX, em Miami, até o fim do governo. E na sua área também existem “dúvidas” suficientes para o início de uma investigação.
Até o pescoço IV
Para encerrar, Cláudia Helena Acosta Rodrigues da Silva, chefe da central de vacinação de Duque de Caxias (RJ), disse à Polícia Federal ter emprestado sua senha para o secretário de Governo do município apagar os registros de vacinação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Confirmou ter sido convencida pelo secretário João Brecha e que não considerou os riscos de seu ato. Cláudia foi um dos alvos da Operação Venire, que fez buscas e apreensões na residência de Bolsonaro e prendeu alguns de seus principais assessores, incluindo Mauro Cid. Sobre ter emprestado a senha, Helena disse não ter identificado “qualquer má-fé”. A Prefeitura de Duque de Caxias instaurou sindicância para apurar os fatos. Uma das beneficiadas pela fraude nos registros de vacina é a mulher de Cid e ele foi uma espécie de “coordenador” da operação.
Testa de Ferro Faria Limer
Com a nova onda de recuperações judiciais no Brasil, a nova moda dos controladores das companhias, especialmente os que têm recursos escondidos, é contratar gestoras de fundos, vulgarmente conhecidas como testas de ferro ou laranjas, para recomprar suas dívidas dos credores “por fora” a preço vil. Além de grandes bancos como Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Itaú, as maiores vítimas do rentável esquema são os milhões de tomadores de recursos no Brasil. Isto porque o custo da inadimplência e de fraudes a credores está incluído no chamado spread bancário, que é a diferença entre as taxas que os bancos tomam recursos de aplicadores e emprestam para terceiros. Para não pagarem a conta dos testas de ferro sozinhos, os grandes bancos, que controlam mais de 80% do mercado de crédito, acabam socializando o prejuízo gerados pelos testas de ferro com milhões de brasileiros que precisam recorrer a empréstimos bancários.
Testa de Ferro Faria Limer II
Um caso recente que ilustra como atuam os testas de ferro foi a operação envolvendo a Restoque, proprietária de marcas de luxo como Le Lis Blanc e Dudalina. Até então controlada por um investidor bilionário, que deveria pagar suas dívidas como qualquer cidadão comum, a empresa optou anos atrás por um calote bilionário. Para recomprar sua dívida a preço vil, o bilionário contratou uma gestora, localizada na região da Faria Lima, em São Paulo, a WNT Capital. Junto com outro banqueiro, famoso na Faria Lima por não honrar seus compromissos, a gestora comprou grande parte do passivo da companhia e aprovou “goela abaixo” uma restruturação duvidosa, onde quem acabou pagando a conta da incompetente gestão da companhia e seu controlador foram grandes bancos e os milhões de endividados no Brasil.