Soubemos também que conversas interceptadas pela PF revelaram trocas de mensagens entre Cid e duas assessoras da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, sobre pagamentos em dinheiro vivo, realizados por terceiros, de despesas da própria. Apesar de demonstrar, nos diálogos, preocupação com a forma pouco usual de saldar dívidas e alertar para a possibilidade de problemas futuros, Cid permite que operação siga em frente, o que o torna mais do que cúmplice de uma operação ilegal, que lembra uma prática já atribuída à família Bolsonaro, as “rachadinhas”. As gravações revelam que Cid trata diretamente sobre desembolsos, em espécie, com a assessora de Michelle, Giselle dos Santos Carneiro. A investigação comprovou que Michelle usava um cartão de crédito vinculado à conta de Rosimary Cardoso Cordeiro, amiga da ex-primeira-dama. As suspeitas já existiam, mas agora estão respaldadas por provas robustas, “Deus o livre, a imprensa descobre que ela é dependente da Rose, pode gerar algum problema”, diz uma das assessoras de Michelle, Cintia Borba, em áudio enviado à colega Giselle Nogueira em um momento de consciência do teor explosivo de prática. Já Cid, num momento profético, diz, “E isso sem contar a imprensa que quando a imprensa caiu de pau em cima, vai vender essa narrativa. Pode ser que nunca aconteça? Pode. Mas pode ser que amanhã, um mês, um ano ou quando ele terminar o mandato dele”. Mais realista impossível.