Vendilhões do templo 

Funcionários da Igreja do pastor Silas Malafaia, a Assembleia de Deus Vitória em Cristo, estão com salários atrasados há meses, segundo pessoas ligadas à Igreja. O pastor Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, está com os bens pessoais penhorados. Os problemas de Valdemiro são antigos, mas os de Malafaia são recentes. Comenta-se no meio Neopentecostal que algumas igrejas sentiram o baque com a saída de Jair Bolsonaro da presidência da República. Segundo essas fontes, o ex-presidente era muito generoso com as igrejas de seus apoiadores como Silas Malafaia e se empenhava pessoalmente para ajudar as instituições. Mesmo aqueles pastores amigos que não enfrentam dificuldades financeiras estão economizando porque agora contam única e exclusivamente com os seus fiéis e o dinheiro anda curto para todo mundo. Além do mais, pastores que foram e continuam apoiando Bolsonaro perderam seguidores na reta final da eleição de 2022.

Nova temporada em “Cannes”

A recuperação judicial do Grupo Petrópolis surpreendeu todo o mercado e já afeta não só grandes bancos como o Santander, mas também uma série de prestadores de serviços relevantes. Um deles é a FTS Participações Societárias S.A. do empresário Valdécio Bombonatto. Desesperado, o principal acionista do grupo Fortesolo tem recorrido a manobras suspeitas contra parceiros de negócios para levantar recursos para o pagamento de uma emissão de R$171 milhões em certificados de recebíveis imobiliários vendida à investidores. A emissão de CRIs foi lastreada em créditos imobiliários detidos pelo Porto Ponta do Félix, de propriedade da Fortesolo e cujo principal cliente é justamente o Grupo Petrópolis. Se não mudar seu comportamento, em breve Valdécio voltará para “Cannes”, onde passou uma temporada em 2017.

Dormindo com o inimigo

No meio político, dois personagens são os mais temidos: as ex-mulheres. E não há nenhum machismo nessa frase, mas uma série de casos, que vão do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, ao atual homem forte do PL, deputado Valdemar Costa Neto, que confirmam a anedota. E os ex-aliados decepcionados. E nesse terreno, Bolsonaro tem uma lista imensa: o general Santos Cruz; o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta; o empresário Paulo Marinho; a ex-deputada Joice Hasselmann; o ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel; o ex-governador de São Paulo, João Dória. Só para citar alguns. Muitas investigações que poderiam dar um atestado de honestidade ao ex-presidente foram interrompidas, como a das rachadinhas ou dos imóveis comprados com dinheiro vivo. O mais enfático e virulento aliado decepcionado de Bolsonaro é o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, que bate no ex-presidente há muito tempo. E disse sem ser rebatido ou processado: “Eu não acredito mais na honestidade do presidente Bolsonaro. Antes, eu diria o seguinte: ‘Olha, está sendo bobo, ele está sendo usado, ele não está vendo’. [Agora] eu acho que ele é uma pessoa desonesta. Eu acho que o presidente Bolsonaro mentiu para a gente, está mentindo e ele vai continuar mentindo. E vou falar aqui com todas as palavras: eu acho que o presidente Bolsonaro é uma pessoa desonesta”. É claro que todos, inclusive Weintraub, se desentenderam com Bolsonaro ou foram descartados, ou abandonados. Mas será que só há rancor em acusações tão contundentes?

Silêncio de Cid compromete Bolsonaro

Analistas políticos de Brasília acreditam que o silêncio do tenente-coronel Mauro Cid foi fatal para Bolsonaro. Tanto assim que, logo após, o ex-presidente fugiu para o gabinete do filho dele no Senado, no Congresso Nacional, o senador Flávio Bolsonaro. Hoje, será a mulher de Cid que vai depor na Polícia Federal. As gravações são fatais para o futuro do ex-presidente. 

Cidade das igrejas roubadas

Salvador ficou famosa pela quantidade de igrejas existentes na cidade. Há o folclore de a capital baiana ter 365 templos católicos, um para cada dia do ano. Os tempos mudaram. A fama que corre agora é a da cidade onde há mais roubos às igrejas no Brasil. Uma das mais antigas, a de Nossa Senhora da Ajuda, no Centro Histórico de Salvador, foi novamente alvo de arrombamento e roubo. É a segunda vez em menos de uma semana. A porta principal do templo onde Padre Antônio Vieira fazia seus antológicos sermões já foi interditada. Por questão de segurança, o acesso agora é pela lateral, defronte para a rua, como forma de inibir a entrada de bandidos, que estavam praticando assaltos até durante as missas. Se já não estava nem aí para os governantes, a bandidagem agora resolveu desrespeitar os representantes de Deus na Bahia.

Vingança política

A cassação do mandato do deputado Deltan Dallagnol pelo TSE revela que o que se comenta nos bastidores, de que a vendeta política é moeda corrente nos tribunais superiores, merece algum crédito. Ex-coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal, Dallagnol contribuiu para mandar para a cadeia ou abreviar a carreira de muitos políticos e empresários processados por corrupção e que eram ligados aos governos do PT.

Interpretação subjetiva e discricionária

O TSE adotou claramente uma interpretação subjetiva e discricionária para cassar o mandato do deputado Deltan Dallagnol. Como não existia procedimento administrativo disciplinar (PAD) contra o ex-procurador, como requer a Lei da Ficha Limpa para negar o registro da candidatura, mas apenas reclamações disciplinares em andamento, os juízes do TSE entenderam que, ao deixar o Ministério Público Federal em novembro de 2021, quase um ano antes do pleito, Dallagnol quis fugir das consequências de um PAD que, naquela altura, concretamente não existia. Se porventura o processo viesse a existir poderia resultar ou não numa eventual condenação e, consequentemente, no indeferimento de sua candidatura. Tanto não existia processo algum que o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) deferiu o registro da candidatura daquele que seria o deputado federal mais votado do estado em 2022.

Parte do Custo Brasil

Não há como deixar de se debitar também à Justiça Eleitoral parte do Custo Brasil referente à insegurança jurídica. O Movimento Brasil Competitivo, em colaboração com a Fundação Getúlio Vargas e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mapeou as perdas e chegou à conclusão de que R$ 1,7 trilhão, o equivalente a 19,5% do Produto Interno Bruto (PIB), são tragados pelo Custo Brasil a cada ano. Atuar em um ambiente jurídico-regulatório eficaz, ou seja, com regulação razoável e efetividade e agilidade jurídica, implica em perdas anuais para as empresas de R$ 170 bilhões a R$ 210 bilhões.

Após ter sido governador de Alagoas, presidente da República e senador, Fernando Collor de Mello caminha para a prisão

Em julgamento no STF, que já dura mais de seis dias, Collor deve pegar 33 anos e 10 meses de prisão e pagar uma multa de R$20 milhões, foi quanto ele recebeu da UTC Engenharia para fechar contratos na BR Distribuidora. O STF já tem a maioria, já que o ministro Nunes Marques foi o único que votou contrário à prisão do ex-presidente. E pensar que este senhor foi o “caçador de marajás”, empolgou o país e chega a esse triste fim. Ontem, o que se comentava depois do julgamento, que vai finalizar próxima quarta-feira, é que a história se repete, agora com o “mito” que se chama Jair Bolsonaro. Tudo leva a crer que ele deva ser o novo Collor no futuro. 

Sérgio Moro vai ser cassado

Já há maioria tranquila, não só no TSE como também no STF, para que Sérgio Moro tenha seu mandato cassado. Afinal, numa declaração leviana e mentirosa, ele declarou que o decano da magistratura brasileira Gilmar Mendes vendia sentenças. O mais cruel é que dentro do Congresso, o que vale dizer dentro do Senado, ele não é uma pessoa querida. Todos os partidos de oposição querem que ele seja cassado. 

Cid abre mão do sigilo fiscal de contas nos Estados Unidos

O tenente-coronel Cid abriu mão do sigilo fiscal de contas nos EUA. Isso irritou Bolsonaro que ao ser questionado afirmou “cada um segue sua vida”. Como se vê, o “mito” está se dissolvendo e não vai se livrar de punições dentro da lei. 

Toma que o filho é teu 

As conversas, em Brasília, têm apenas um tema, a frieza de Jair Bolsonaro ao “jogar aos leões” aliados aos quais se referia, até recentemente, como amigos ou até irmãos. Em três horas e meia de depoimento, na terça-feira (16/05), sobre as fraudes em cartões de vacina da Covid-19; segundo fontes da PF, Bolsonaro transferiu a responsabilidade aos seus auxiliares. Não sabia de nada, não viu nada, não ouviu nada sobre. Afirmou, sem pejo, que não pediu a ninguém para falsificar cartões de vacinação contra Covid-19 para ele nem para seus familiares; nem que fossem inseridos dados no ConecteSUS, em seu nome. O caso mais grave é o do tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens e faz-tudo de Bolsonaro até o fim do governo, que se transforma numa verdadeira “bucha de canhão”. “O corpo fora de Bolsonaro” pode custar caro. Nove entre dez raposas políticas de Brasília consideram que em casos desse tipo, o limite da lealdade é a solidariedade dos companheiros de infortúnio, solidariedade essa que faltou a Bolsonaro em seu depoimento à PF. Sendo assim, Mauro Cid e seus comparsas também estão liberados para fazer o que for necessário para salvar a pele.

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑