As conversas, em Brasília, têm apenas um tema, a frieza de Jair Bolsonaro ao “jogar aos leões” aliados aos quais se referia, até recentemente, como amigos ou até irmãos. Em três horas e meia de depoimento, na terça-feira (16/05), sobre as fraudes em cartões de vacina da Covid-19; segundo fontes da PF, Bolsonaro transferiu a responsabilidade aos seus auxiliares. Não sabia de nada, não viu nada, não ouviu nada sobre. Afirmou, sem pejo, que não pediu a ninguém para falsificar cartões de vacinação contra Covid-19 para ele nem para seus familiares; nem que fossem inseridos dados no ConecteSUS, em seu nome. O caso mais grave é o do tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens e faz-tudo de Bolsonaro até o fim do governo, que se transforma numa verdadeira “bucha de canhão”. “O corpo fora de Bolsonaro” pode custar caro. Nove entre dez raposas políticas de Brasília consideram que em casos desse tipo, o limite da lealdade é a solidariedade dos companheiros de infortúnio, solidariedade essa que faltou a Bolsonaro em seu depoimento à PF. Sendo assim, Mauro Cid e seus comparsas também estão liberados para fazer o que for necessário para salvar a pele.