Não foi por falta de aviso

O autor desse blog vem denunciando e cobrando providências sobre os conflitos entre fazendeiros e indígenas que lutam por retomada de terras no sul da Bahia, há muito tempo. Agora, depois da morte de Samuel Cristiano do Amor Divino e Nawir Brito de Jesus, ambos da etnia Pataxó, a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, instituiu um gabinete de crise para acompanhar os conflitos nas terras na região onde as mortes ocorreram. O gabinete de crise contará com representantes da FUNAI, da Justiça e Segurança Pública do governo da Bahia, da Defensoria Pública da União, do Ministério Público Federal, do Conselho Nacional de Direitos Humanos e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. Espera-se que com todo esse aparato as soluções aconteçam, pois todos os moradores da região sofrem com a insegurança gerada pelos conflitos.

Setenta e sete com energia de trinta… tempo de recomeçar

O presidente passou a semana fazendo, ao que parece, um recomeço. Como se o governo só começasse agora, contidos, desarticulados e decifrados os movimentos bolsonaristas e seus patrocinadores. Deu entrevista para a jornalista Natuza Nery, na GloboNews, e fez do encontro com as Centrais Sindicais, com mais de 600 pessoas no Palácio do Planalto, um discurso, como se fosse o primeiro depois da eleição. Começou pela divulgação do que será o governo. Priorizou saúde, educação, cultura e economia. Avisou que não será conivente com erros (corrupção). E, principalmente, que está cheio de energia para executar o melhor governo de sua vida. Garantiu a todos os participantes que está com 77 anos, mas com fôlego de 30. E demonstrou isso falando sem consultar muito os papéis, caminhando todo o tempo, fazendo referências aos convidados, demandando e sugerindo aos ministros muito trabalho. Foi como se o governo recomeçasse. E de fato, recomeçou.

CNN e GloboNews têm as duas melhores âncoras de política da TV brasileira

Elas são duas boas repórteres que sabem entrevistar e, simultaneamente, apurar informações. Uma é Natuza Nery da GloboNews e a outra e Daniela Lima da CNN. Essa última é uma autêntica revelação que, ao mesmo tempo, em que está dando informações, ela colhe os chamados furos de reportagens. Vale a pena acompanhar ela todas as tardes a partir das 15h.

É a economia, ministro!

Ao sugerir que as pessoas boicotassem empresas não alinhadas ao atual governo, Fernando Haddad, ministro da Economia do Brasil, causou espanto no Fórum Econômico Mundial. Pelo jeito, Haddad deixou o figurino de ministro no hotel e vestiu uma camiseta dos tempos da campanha. Empresas, independente de ideologia, geram empregos, pagam impostos e movimentam a economia em qualquer país do mundo. Sugerir boicote dentro do próprio país, no governo para o qual trabalha, só confirma o que ele mesmo revelou em entrevistas tempos atrás: não sei nada de economia. Mas como aceitou o cargo, melhor se preparar para não falar bobagens em meio tão especializado. Mais preparado, Tarcísio de Freitas, governador do estado de São Paulo, no mesmo Fórum, aproveitou, fez parcerias, e apresentou um estado onde as empresas podem investir com segurança. Haddad precisa dar mais atenção ao ditado: quem lacra não lucra!

Brincadeira perigosa

Um jornal da tradição e importância da Folha de São Paulo não pode ser irresponsável, porque ingênuo e negligente todos nós sabemos que não é. Caso contrário não teria alcançado o status que tem hoje e que nos últimos tempos teima em dilapidar. A foto do presidente Lula publicada na primeira página da edição de ontem (19/01) é uma temeridade, num momento delicado da vida brasileira, em que estamos recém-saídos de uma tentativa de golpe à Democracia. Democracia que a Folha diz defender. A foto, não precisa ser gênio para perceber o intuito caviloso, simula um atentado ao presidente, que aparece por trás de uma vidraça trincada por um disparo de arma de fogo, na direção do coração do presidente. Símbolos podem ter mais força do que palavras, os responsáveis pela Folha sabem disso. Por triste coincidência, a foto é publicada no mesmo dia em que o jornal noticia a prisão de um terrorista que planejava explodir um caminhão carregado de combustível no aeroporto de Brasília. Basta imaginar as consequências de um atentado do tipo para perceber o tamanho do equívoco que o tradicional jornal paulista cometeu.

Braga, o conspirador

A escolha do general Braga Netto para vice-presidente na chapa de Bolsonaro à reeleição foi o primeiro sinal da conspiração hoje escancarada. O ex-mandatário preteriu nomes bem mais conhecidos de políticos para ter um general do seu esquema militar como vice. Era o sinal claro da possibilidade golpista em caso de derrota. Conspirador notório, após as eleições Braga Netto alimentava os seguidores radicais de esperanças golpistas todos os dias. Chegou a montar um bunker no Lago Sul de Brasília para urdir suas tramas. Hoje, está desaparecido, submergiu, mas não adianta se esconder, pois as investigações, embora sob severo sigilo, já chegaram nele. Provas não faltam. Ao contrário, abundam. Nas últimas horas ele complicou o PL. Foi na sede do partido que ele comandou toda a conspiração. O presidente do partido está preocupado e sabe que o PL pode também sofrer punições. 

Flávia Arruda nas águas do Senhor do Bonfim

A deputada Flávia Arruda, que disputou o Senado por Brasília nas últimas eleições, teve contra si uma das campanhas mais desleais e sórdidas dos últimos tempos. Foi vítima de textos, vídeos e desenhos apócrifos, divulgados nas redes sociais, que colocaram sua vida e de sua família em uma exposição de mentiras e calúnias jamais vistas. Perdeu as eleições nesse jogo bruto. Mas não perdeu a coragem e o brio. Ainda deputada e presidente regional do PL, compareceu com altivez na diplomação do presidente Lula, para quem pediu votos no segundo turno. Sofreu, por isso, uma nova campanha de bolsonaristas raivosos e inconsequentes. Imediatamente, entregou sua carta de demissão ao partido. Manifestou-se de maneira indignada aos horrores do dia 8 de janeiro. Hoje, com a alma leve, segue seu caminho por outras vias, sem pressa por novas decisões. Nada que as águas da terra do Senhor do Bonfim não possam curar. Axé!

Prova de fogo-Chumbo quente

O governo Lula e os ministros, Flávio Dino, da Justiça, e Rui Costa, da Casa Civil, enfrentam o grande primeiro desafio do governo e aquele que parece ser o mais estratégico, enquadrar e operacionalizar a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Na expressão popular foi “passado um rodo”. Dino trocou 26 superintendentes da PRF. Sobrou apenas o do Piauí. Costa exonerou 18 diretores da PF. Não é novidade para ninguém que o ex-presidente tem apoiadores leais nas duas instituições. Todos lembram da nefasta operação da PRF no segundo turno das eleições e o comandante bolsonarista raiz da instituição, naquela época, premiado por Bolsonaro com uma aposentadoria precoce e milionária. Na PF, onde o bolsonarismo é forte, mas encontra resistência, Rui Costa decidiu apostar nas mulheres, nove delegadas. Ou seja, exatamente 50% dos novos diretores. Um dos nomes que se destaca, no novo desenho da PF, é o do delegado Leandro Almada da Costa, que já investigou o assassinato da vereadora Marielle Franco e vai comandar a Polícia Federal no Rio.

Impunidade

Tem coisas que só acontecem no Rio de Janeiro. Em matéria exclusiva, a GloboNews informa que a Polícia Militar comunicou ao Ministério Público que perdeu todos os documentos que poderiam ajudar a solucionar uma execução durante uma operação da PM na Cidade de Deus em 2003. Curiosidade: dois dos envolvidos são Fabrício Queiroz, famoso pelo caso das rachadinhas e Adriano da Nóbrega, morto pela PM da Bahia, em condições para lá suspeitas. Os dois ligados à família Bolsonaro. A vítima era um técnico de refrigeração, Anderson Rosa de Souza, de 29 anos, sem antecedentes criminais. Os documentos aos quais teve acesso a GloboNews revelam que a Polícia Militar informou ao Ministério Público que perdeu todos os documentos do 18º Batalhão, de Jacarepaguá, que executou a operação, entre 1994 a 2003. Jacarepaguá é uma área dominada por milícias, outra coincidência. O crime prescreve em maio. É estarrecedor, nove anos de documentos. O caso prescreve em maio.

Ibaneis acompanha em silêncio alfinetadas de Celina

É mais por estratégia o silêncio com que Ibaneis tem acompanhado as alfinetadas constantes de Celina Leão. Na última, para o Globo, chamou o governador de ingênuo e omisso ao dizer que era ela que estava com Flávio Dino e Múcio Monteiro resolvendo os transtornos do dia 8 de janeiro, colocando mais molho na briga entre PP e MDB pelo governo do Distrito Federal. Enquanto isso, funcionários da alta administração do Governo do Distrito Federal estão confiantes que o Governador Ibaneis reassuma o cargo de onde foi afastado por determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes. A esperança é dada por alguns de seus advogados, segundo os quais, à medida que as apurações dos ataques de 8 de janeiro às sedes do Congresso, Supremo e Palácio do Planalto avançam, mais fica claro que o governador não foi omisso aos seus deveres e tentam antecipar o retorno de Ibaneis ao cargo. Outro argumento são as publicações nas redes e até entrevistas do senador Randolfe, afirmando que o afastamento de Ibaneis foi realizado para dar um “aviso” aos outros governadores do país. Os advogados veem nas falas de Randolfe mais um elemento da fragilidade dos argumentos jurídicos que culminaram no afastamento do governador pelo período de 90 dias.

A batata está assando para Bolsonaro

Influentes políticos dos EUA aumentaram a pressão sobre o governo para que faça gestões visando convencer o ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, autoexilado na Califórnia, a deixar o território do país. Manifestações contrárias à estadia dele existiam desde a chegada a Orlando. Mas o ataque de golpistas bolsonaristas aos Três Poderes, em Brasília, no Dia da Vergonha (08/01) foi a gota d’água. A mais atuante é a deputada democrata, Alessandra Ocasio-Cortez, de Nova York, uma das primeiras a manifestar apoio ao Brasil e recomendar que os Estados Unidos deixem de dar refúgio ao ex-presidente. Nos corredores do Congresso já se fala em 40 deputados. A questão é tratada com cuidado, afinal trata-se de um ex-presidente e os norte-americanos levam a sério os protocolos diplomáticos, mas com as investigações no Brasil que insistem em apontar para o ex-presidente, é bem possível que em breve Bolsonaro seja obrigado a procurar outro refúgio.

Vivendo do dinheiro alheio 

Quanto mais o cerco se fecha em torno de Bolsonaro, mais ele abandona seus seguidores, alguns presos e sem nenhum indício de que serão soltos. O capitão vai ficando na Disney e não pretende voltar tão cedo. Enquanto bolsonaristas presos fazem vaquinha para pagar advogado e reclamam da vida na prisão, Bolsonaro, agora sem cartão corporativo, vai passar o chapéu entre os empresários que ainda lhe são fiéis. Tem gente que não tem vergonha mesmo!

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑