A perversidade escancarada de Damares Alves

“Vou usar o meu mandato para defender os índios Yanomami. Tenho amor pelos índios. Sou mãe de índia. Sei como é o sofrimento deles.” Quem lê não acredita que essas palavras são da senadora Damares Alves, aquela mesma que era ministra de Direitos Humanos na gestão Bolsonaro e negou por 21 vezes, através de documentos, ajuda humanitária aos Yanomami. Quando questionada, afirmou em documento para a Corte Interamericana de Direitos Humanos que não havia o menor indício de gravidade, nem urgência e nem risco de dano irreparável. Como alguém pode exibir essa perversidade aos olhos das autoridades, da imprensa, da sociedade que agora conhece os horrores do sofrimento Yanomami. Como pode Damares Alves afirmar ser “mãe de índia”? Todos sabem que a criança indígena, de seis anos, foi arrancada dos pais, levada sem permissão para um suposto tratamento dentário em Brasília e só voltou a ver a família nove anos depois. Até hoje ela não tem adoção legal da menina porque os pais, verdadeiros, não aceitam. Mãe de índia? Mãe? Mãe que no dia da posse no Senado teve a coragem de exibir o constrangimento da adolescente para se defender das acusações de omissão que resultou na morte de 570 crianças. Mãe? Damares não sabe o que é ser mãe. É uma mulher má. Muito má.

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