Ao tomar para si a responsabilidade de retirar os garimpeiros das terras indígenas dos Yanomami, o presidente Lula não mediu o tamanho do desafio que estava por vir. A verdade é que o governo federal não tem ainda um plano de desocupação daquela área. Diante da resistência do governador de Roraima, Antônio Denário, que já se manifestou a favor dos garimpeiros, permitiu o uso de mercúrio nos rios e impediu a destruição dos equipamentos nos garimpos, pensou-se numa intervenção no governo de RR. O plano foi descartado porque ninguém sabia o que fazer, ato contínuo à intervenção. Não sabia e não sabe. Não existe quantitativo suficiente na Polícia Federal, vez que essa assumiu outras atribuições no atual governo. O que fazer com os mais de 20 mil garimpeiros que atuam dentro da área. A frase de Lula “acabou a brincadeira, vamos tirar os garimpeiros das áreas dos Yanomami” está muito longe de ser cumprida. Os desafios são grandes. Os ministros e suas equipes, uma por vez, visitam as áreas, distribuem relatórios graves da situação, mas enfrentar os garimpeiros está se tornando uma fumaça densa demais, difícil de atravessar.