Jovem Klan

Paulo Machado de Carvalho, o velho, era um ícone do esporte e do radiojornalismo de São Paulo. Era dono da rádio Panamericana, campeã de audiência por décadas no noticiário. Nos anos 70, transformou-se em Jovem Pan, liderando e inovando no rádio-jornalismo e na música. No governo Bolsonaro, o herdeiro Tutinha apostou na direita brasileira mais radical e golpista. Foi um desastre e ganhou o apelido de Jovem Klan, numa referência à seita Ku Klux Klan, de supremacia branca e ultradireitista. Nessa semana, após demitir seus mais odiosos jornalistas da direita golpista, como Rodrigo Constantino, ele próprio se afastou da emissora. Tarde demais. Está sofrendo um severo boicote e a audiência despencou. Mais, corre o risco de perder a concessão. Triste fim. Greta Garbo acabou no Irajá.

Bolsonaro tem receio da Justiça Eleitoral

A relação de Bolsonaro com o Judiciário, que nunca foi amistosa, tende a piorar, o que é ruim para o ex-presidente, que enfrenta 15 AIJES — Ações de Investigação Judicial Eleitoral — no TSE, que poderiam torná-lo inelegível. É disso que o presidente tem mais medo.

Simone Tebet vai participar de evento internacional em Lisboa

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, vai participar de um seminário internacional do Lide em Lisboa e, antes de aceitar, recebeu sinal verde do presidente Lula. 

TCU vai punir

O vice-presidente do TCU, Vital do Rêgo, solicitou informações oficiais da PM de Brasília e da Abin para saber se tinham indícios prévios de que haveria quebra-quebra, se foi comunicado qual horário e por que não adotaram providências. O TCU afirma que os servidores que participaram ou ficaram omissos podem responder na esfera administrativa com multa e no despacho, Vital do Rêgo também quer saber se o Planalto, o Congresso e o STF têm seguro das peças que foram roubadas ou vandalizadas. 

Fora do cercadinho

Como forma de pressionar pela saída de Bolsonaro, o condomínio onde está hospedado em Orlando autorizou a entrada de jornalistas. Agora, o ex-mandatário vai entender com clareza o que é encarar a opinião pública. Quem está num cercadinho é ele. Não pode sair de casa sem um enxame de repórteres questionando sobre a tentativa de golpe no Brasil. Michelle, que está reclusa desde a chegada aos EUA, não ousa sequer olhar pela janela. Ela não participou da ceia de ano novo com a família, segundo a chef brasileira Karlota Fonseca, encarregada dos comes e bebes da noite. O clima, que já estava ruim na residência-refúgio dos Bolsonaros, agora tornou-se irrespirável, dentro e fora de casa.

E agora, José?

A identificação de militares de baixa e alta patente e familiares de militares, que tiveram participação ativa nos atentados terroristas do Domingo da Vergonha (08/01) vai progressivamente aumentando o constrangimento das Forças Armadas. Esses militares deveriam ser punidos exemplarmente. A sociedade exige respostas, mas o espírito de corpo nas FFAA é muito forte, sendo o próprio Bolsonaro um exemplo dessa rede de proteção. A ação mais surpreendente é do major Paulo Jorge Fernandes da Hora, flagrado em vídeo a discutir com agentes da PM enquanto bolsonaristas radicais depredavam o Palácio do Planalto. Da Hora é comandante do Batalhão da Guarda Presidencial do Exército e deveria proteger o patrimônio do palácio. Já o coronel Adriano Camargo Testoni, além de participar dos atos terroristas, gravou um vídeo xingando as FFAA e companheiros de farda. Talvez o caso mais gritante seja o do capitão de mar e guerra Vilmar José Fortuna, assessor do Ministério da Defesa, com salário de R$ 35.000. É difícil saber quantos, com o mesmo status dele, participaram. Tudo indica que muitos. Um dos golpistas presos no Palácio do Planalto confessou que um integrante do Exército tentou ajudá-lo e os outros invasores a deixarem o prédio. Na internet circulam dois vídeos comprometedores. Num deles, um coronel do Exército tenta evitar a prisão de terroristas e é advertido por um PM. Na outra, um PM do DF pede que um grupo de militares não atrapalhe a ação da polícia. Até as rótulas de Brasília sabem que o ex-presidente tem apoiadores dedicados nas FFAA, mas há um grupo de militares que exige que a lei seja cumprida, doa a quem doer. As manifestações de apoio ao comandante da Marinha, almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, que em seu discurso de posse agradeceu a Lula, é um sinal claro.

Traição à Pátria 

O ato golpista de Bolsonaro e seu ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, ao prepararem um esboço de decreto que permitiria ao ex-mandatário intervir no Tribunal Superior Eleitoral – TSE, pode ser resumido em uma tentativa de reeditar o AI 5, um dos instrumentos jurídicos mais nefastos da história do Brasil. Uma excrescência. À semelhança do AI 5, o decreto golpista de Bolsonaro previa a ocupação física e jurídica de um tribunal superior e, ainda por cima, impedia que outras Cortes se manifestassem ou tornassem sem efeito o decreto, mirando o Superior Tribunal Federal – STF. Um horror autoritário que só poderia mesmo sair da cabeça do capitão e sua corja golpista. Cadeia para eles. 

Tic-tac Tic-tac Tic-tac

Jair, sua hora vai chegar! Aqui ou na Disney. Aumenta a cada dia a pressão de parlamentares americanos para que o presidente dos EUA, Joe Biden, extradite Bolsonaro. Já somam mais de 50 o número de deputados que desejam o capitão fora do solo estadunidense. Aqui no Brasil, o ministro Alexandre de Moraes tem uma pilha de provas capaz de fazer Jair ver o sol nascer quadrado por um longo período. No mundo paralelo dos bolsonaristas, nem a sucessão de fracassos em tomar à força o poder no Brasil fez cair a ficha: não há respaldo nem no Brasil e nem no exterior para um golpe de estado. Bolsonaro segue tentando. Cadeia para eles. 

FBI atento

O pior dos pesadelos para Jair Bolsonaro é se o FBI conseguir provas de que ele está tramando um golpe de estado no Brasil em solo americano. Se conseguir, são duas as opções: ser extraditado imediatamente ou ser recolhido a Guantánamo. A segunda opção é pior para ele. Para nós, brasileiros, seria um sonho.

QI de mamãe

Paira sobre Brasília muito pessimismo quanto ao sucesso da gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia. A falta de fé seria decorrente da equipe que montou para auxiliá-lo. Entre os próprios correligionários e aliados, é considerada a pior de todas nesses 16 anos de hegemonia petista no estado. O desencanto nas hostes do PT seria tal que animara até o moribundo adversário, que sabendo disso, se jogou nos braços do povo na Lavagem do Bonfim. O fim da picada teria sido a escolha do jovem enteado de Jaques Wagner para a secretaria de Meio Ambiente. Neste caso, não pesou competência e nem militância, mas o poderoso QI de mamãe.

Versão 2.0

Não é só por ter laços com Feira de Santana que o governador Jerônimo Rodrigues já vem sendo chamado de João Durval versão 2.0. O ex-governador fez uma gestão muito abaixo das expectativas, empregou parentes e correligionários e não era segredo para ninguém que tomava bronca do seu chefe político. Acabou entregando o governo de bandeja aos adversários políticos.

Bolsonaro pode ser responsabilizado como um cidadão comum

Esta semana, Bolsonaro postou em suas redes sociais um vídeo em que questiona a vitória de Lula e faz críticas pesadas ao TSE e ao STF, após seus asseclas brasileiros pedirem, ele retirou as postagens do ar. Mas o que Bolsonaro já pode esperar é que, mesmo tendo tirado do ar, o vídeo produziu efeito e ganhou a mídia nacional com grande repercussão, e ele pode ser responsabilizado e preso por isso. Muitos brasileiros e autoridades tinham em mente que Bolsonaro era o líder intelectual dos ataques terroristas do último domingo, agora ninguém tem mais dúvidas. Fato é que por muito menos Alexandre de Moraes decretou a prisão de vários, e não se tem dúvidas que, se Bolsonaro colocar o pé no Brasil, será rapidamente preso, valendo lembrar que hoje ele é apenas um cidadão comum e pode ser preso por qualquer juiz de primeira instância.

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