A identificação de militares de baixa e alta patente e familiares de militares, que tiveram participação ativa nos atentados terroristas do Domingo da Vergonha (08/01) vai progressivamente aumentando o constrangimento das Forças Armadas. Esses militares deveriam ser punidos exemplarmente. A sociedade exige respostas, mas o espírito de corpo nas FFAA é muito forte, sendo o próprio Bolsonaro um exemplo dessa rede de proteção. A ação mais surpreendente é do major Paulo Jorge Fernandes da Hora, flagrado em vídeo a discutir com agentes da PM enquanto bolsonaristas radicais depredavam o Palácio do Planalto. Da Hora é comandante do Batalhão da Guarda Presidencial do Exército e deveria proteger o patrimônio do palácio. Já o coronel Adriano Camargo Testoni, além de participar dos atos terroristas, gravou um vídeo xingando as FFAA e companheiros de farda. Talvez o caso mais gritante seja o do capitão de mar e guerra Vilmar José Fortuna, assessor do Ministério da Defesa, com salário de R$ 35.000. É difícil saber quantos, com o mesmo status dele, participaram. Tudo indica que muitos. Um dos golpistas presos no Palácio do Planalto confessou que um integrante do Exército tentou ajudá-lo e os outros invasores a deixarem o prédio. Na internet circulam dois vídeos comprometedores. Num deles, um coronel do Exército tenta evitar a prisão de terroristas e é advertido por um PM. Na outra, um PM do DF pede que um grupo de militares não atrapalhe a ação da polícia. Até as rótulas de Brasília sabem que o ex-presidente tem apoiadores dedicados nas FFAA, mas há um grupo de militares que exige que a lei seja cumprida, doa a quem doer. As manifestações de apoio ao comandante da Marinha, almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, que em seu discurso de posse agradeceu a Lula, é um sinal claro.