A estratégia do tarefeiro

Tarefeiro, no mundo sindical, é o sindicalista pau-mandado. Ele cumpre caninamente as tarefas, ordens determinadas pelos “capos”, os da cúpula. Cabe-lhe distribuir os boletins, os informes, fazer convocações, enfim, manter o elo com a base. Quem viveu a agitação sindical do polo petroquímico de Camaçari nos anos 80/90 consegue identificar esse personagem na pessoa do atual ministro da Casa Civil, Rui Costa. Era ele o menino de Jaques Wagner no Sindiquímica. Ganhou a confiança do Galego, que se ocupava das articulações e negociações, já que não era a dele o chão de fábrica. A estratégica submissão rendeu a Rui mais tarde a eleição de governador da Bahia. Agora, parece que ele retomou o bem-sucedido modus operandi. Assumiu o papel de tarefeiro de Lula. Será que dessa vez vai conseguir subir a rampa do Planalto?

Disputa por protagonismo

A imprensa do Sul e Sudeste parece já ter tomado partido na disputa surda por protagonismo que é travada entre os dois expoentes petistas da Esplanada dos Ministérios, Rui Costa e Fernando Haddad. Na imprensa paulista, o ministro da Fazenda, bem articulado e com boa assessoria, tem recebido um tratamento especial que beira à condescendência. Já o chefe da Casa Civil anda às voltas com a gestão de um governo emperrado e ainda se vê engolfado por problemas decorrentes de seus oito anos como governador da Bahia. Como se não bastasse, a imprensa dá a impressão de ser Haddad a única voz sensata e equilibrada deste governo.

Flamengo, Corinthians e Palmeiras têm as maiores torcidas do futebol brasileiro

Este é o resultado da mais recente pesquisa que mostra um time do Rio e dois de São Paulo como donos das maiores torcidas do país. E pensar que num passado não muito distante a Bahia com o Bahia e Pernambuco com o Santa Cruz figuravam entre os campeões de torcida. Hoje, tanto um quanto o outro estão no fracasso do futebol nordestino. A torcida mais fiel é a do Grêmio de Porto Alegre. 

Cem dias de Lula no governo – o bode sai da sala

Mesmo os mais renitentes adversários do PT e de Lula reconhecem que nos primeiros 100 dias o governo não só disse a que veio como recuperou o espírito republicano e democrático do país; afrontado por uma experiência absolutamente desastrosa, cujas consequências viveremos ainda por muito tempo. Nos pronunciamentos, Lula e os ministros escalados, Rui Costa, da Casa Civil; e Geraldo Alckmin, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e também vice-presidente, lembraram os programas sociais, mas sobretudo a reconstrução do Aparelho de Estado. Na Economia, a Reforma Tributária, com um elogio direto ao ministro Fernando Haddad. Entre os elogiados de fora do governo, Fernando Henrique Cardoso, Tancredo Neves e Celso Furtado, deixando claro que Lula pensa além do PT. Mas na Economia, a crítica, já esperada, foi à taxa de juros, sem citar o BC. Um momento grave foi a avaliação sobre a tentativa de golpe, de oito de janeiro, que segundo Lula marcou um momento histórico em que todas as instituições da República se uniram para defender o Estado Democrático de Direito. Tudo isso sem citar o nome do antecessor, tratado como golpista e fascista. Houve também espaço para a ironia bem-humorada com a Imprensa, o Mercado e as grandes fortunas. Lula se diz otimista, mas sem exagero e, assim como o seu partido, mais maduro para lidar com críticas e polêmicas. Indígenas, negros e mulheres foram citados; da mesma forma, a promessa de combate incansável ao trabalho escravo. Foi um discurso propositivo, realista diante das dificuldades, mas confiante. Gostando ou não de Lula, apoiando ou não, somos obrigados a reconhecer que temos um governo. Impossível não lembrar da anedota do bode na sala.

Segurança Pública na Bahia está um caos

Cada dia que passa a coisa só piora, é voz corrente hoje na sociedade baiana que todo mundo está com medo de sair de casa para frequentar desde bares e restaurantes, até ir a mercados, farmácias e padarias. O clima de pânico é geral. Não fosse apenas a guerra do tráfico, disputada por várias facções criminosas, cada uma mais violenta do que outra, ainda ocorrem diuturnamente dezenas de assaltos em todos os lugares. Ouvidos pela reportagem, em off, membros da Polícia Civil, que não querem se identificar, afirmam que eles têm tudo mapeado na mão, e sabem quais são as organizações, seus líderes, e que apenas não vão a campo efetuar prisões, pois não estão amparados e protegidos pelo Estado, que toda a vez que um policial precisa usar da força ou disparar armas de fogo, colocando em risco sua vida, se algo der errado o Estado é o primeiro a punir os policiais. Comenta-se também que há mais coisas nebulosas no meio disso, que para bom entendedor meia palavra basta.

Polícia Federal evita fuga de auditor envolvido no escândalo das joias

Júlio César, auditor da Receita Federal envolvido no escândalo das joias de Michelle e Jair Bolsonaro, tentou escapar pedindo exoneração. Imediatamente, a Polícia Federal brecou, já que ele está respondendo a processo e pode ser inclusive preso. Já Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário da Segurança Pública de Brasília, voltou a pedir o relaxamento de sua prisão preventiva, mas não vai conseguir. 

Bradesco: Um dinossauro à beira da extinção

Se depender da imensa burocracia e falta de agilidade operacional, os dias de um dos maiores bancos brasileiros, o Bradesco, estão contados. Tomando como exemplo sistêmico a demora que a agência central do Bradesco de Ilhéus tem levado para abrir uma conta bancária, é de se acreditar que a instituição corre sério risco de sucumbir como instituição financeira. A falta de modernização, a burocracia excessiva e a demora na abertura de contas são apenas alguns dos sinais evidentes de que o banco não está conseguindo se adaptar às mudanças no mercado financeiro. As fintechs, por outro lado, têm se destacado, oferecendo serviços mais ágeis e descomplicados. Se o Bradesco não mudar sua postura e se adaptar às novas demandas do mercado, irá se tornar obsoleto e deixar de ser um dos bancos mais poderosos do país, perdendo espaço para a concorrência que vem crescendo rapidamente e oferecendo serviços mais modernos e eficientes.

Bloqueio de recursos do latifundiário milionário de Porto Seguro

A justiça determinou o bloqueio de recursos e de bens solicitado pelo Ibama para cumprir pagamento de multa de mais de R$ 200 milhões que o latifundiário de Porto Seguro, Moacir Andrade, deve à União. Não é a primeira vez que Andrade não paga um débito. Pelo contrário, na região, é considerado, além de infrator, uma parada difícil para pagar o que deve. 

Desunião Brasil

O União Brasil (UB) vive um clima de rebelião interna e iminente debandada. De acordo com matéria de O Globo, a crise é grande, principalmente no Rio de Janeiro, onde o vice Antonio Rueda quer transferir o controle do diretório estadual, atualmente com o prefeito Waguinho, de Belford Roxo, para o presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacelar, que estaria migrando do PL para o UB. O imbróglio envolve distribuição de cargos governamentais e quase leva correligionários às vias de fato. A coisa também não está boa em Pernambuco, onde a desavença se dá entre o presidente Luciano Bivar e o deputado Mendonça Filho. Mendoncinha não gostou de ter seu indicado para a direção do partido no estado preterido pelo de Bivar. Apelou à Justiça e a questão está sub judice. Fato é que presidente e vice do UB compartilham entre si os espaços partidários.

Espada de Dâmocles

O ex-prefeito ACM Neto é outro que não está satisfeito com a cúpula do União Brasil. Ainda durante a campanha do ano passado, teve atritos com o presidente Luciano Bivar, que não escondeu dos conterrâneos do político baiano a antipatia que nutre por ele. Chegou a dizer que, caso não vencesse a eleição para o governo da Bahia, Neto perderia o partido no estado. Embora o ex-prefeito de Salvador tenha sido derrotado, não há sinal ainda de que perderá o comando da sigla em sua terra. Dando uma de político mineiro, o deputado baiano Elmar Nascimento, líder da legenda na Câmara Federal, não emite opinião sobre a crise interna do partido. Optou pelo silêncio. Outros políticos conterrâneos observam que a fusão do Democratas com o PSL deu chabu na Bahia. O cobiçado fundo eleitoral para reforçar a campanha não causou o resultado esperado. A espada de Dâmocles paira sobre a cabeça de ACM Neto. Será que Bivar vai cumprir a promessa?

A estrela sobe

Quem ascende no União Brasil é o senador Efraim Filho, que se impõe como uma das principais lideranças do partido. De espírito agregador e cordial, ele é respeitado dentro e fora da legenda, tendo acesso fácil a Lula e ao vice Alckmin. Jovem e habilidoso, tem transitado com desenvoltura pelo governo e oposição. Na Bahia, ele anunciou apoio à reeleição do prefeito Bruno Reis, por quem demonstra muito apreço e admiração pelo trabalho que vem desenvolvendo na capital baiana.

Quase um foragido

O ex-primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, que tem a obrigação de se apresentar à polícia do seu país a cada 15 dias, viajou recentemente de Lisboa para São Paulo sem ter feito qualquer comunicação prévia à justiça. Há quase dez anos Sócrates foi preso e acusado de crimes de corrupção passiva, mas o processo ainda não foi julgado. Na capital paulista, o ex-primeiro-ministro português faz doutoramento na USP enquanto cisca pra lá e pra cá ao redor do ex-ministro José Dirceu, sempre em busca de comissões lucrativas em negócios heterodoxos que exijam o beneplácito do governo desta Terra de Vera Cruz.

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