Mesmo os mais renitentes adversários do PT e de Lula reconhecem que nos primeiros 100 dias o governo não só disse a que veio como recuperou o espírito republicano e democrático do país; afrontado por uma experiência absolutamente desastrosa, cujas consequências viveremos ainda por muito tempo. Nos pronunciamentos, Lula e os ministros escalados, Rui Costa, da Casa Civil; e Geraldo Alckmin, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e também vice-presidente, lembraram os programas sociais, mas sobretudo a reconstrução do Aparelho de Estado. Na Economia, a Reforma Tributária, com um elogio direto ao ministro Fernando Haddad. Entre os elogiados de fora do governo, Fernando Henrique Cardoso, Tancredo Neves e Celso Furtado, deixando claro que Lula pensa além do PT. Mas na Economia, a crítica, já esperada, foi à taxa de juros, sem citar o BC. Um momento grave foi a avaliação sobre a tentativa de golpe, de oito de janeiro, que segundo Lula marcou um momento histórico em que todas as instituições da República se uniram para defender o Estado Democrático de Direito. Tudo isso sem citar o nome do antecessor, tratado como golpista e fascista. Houve também espaço para a ironia bem-humorada com a Imprensa, o Mercado e as grandes fortunas. Lula se diz otimista, mas sem exagero e, assim como o seu partido, mais maduro para lidar com críticas e polêmicas. Indígenas, negros e mulheres foram citados; da mesma forma, a promessa de combate incansável ao trabalho escravo. Foi um discurso propositivo, realista diante das dificuldades, mas confiante. Gostando ou não de Lula, apoiando ou não, somos obrigados a reconhecer que temos um governo. Impossível não lembrar da anedota do bode na sala.