“A política é como uma nuvem”. A frase do político mineiro Magalhães Pinto traduz bem a inconstância da “arte do possível”, como a classificou o alemão Bismarck. “Uma hora tá de um jeito e, quando se olha de novo, já é outra coisa”. O cenário pré-eleições do ano que vem, em Salvador, reflete bem a máxima do também banqueiro Magalhães Pinto. Após a disputa governamental, com a derrota de seu líder ACM Neto, o atual prefeito Bruno Reis viu sua cotação cair nas bolsas de apostas e crescer a concorrência do vice-governador eleito, Geraldo Júnior. O tempo virou. A ameaça de ter um aliado do adversário na presidência da Câmara Municipal, o vereador Carlos Muniz, não vingou. Bruno conseguiu atrair Muniz para sua base. Geraldo Júnior, por sua vez, está em baixa. Até agora não garantiu o apoio do governador Jerônimo à sua candidatura e o PT dá sinais de que terá candidato próprio. Um player importante das eleições de 2024 é o ex-ministro João Roma. Presidente do PL, legenda com maior tempo de rádio e tevê, Roma não descarta concorrer a prefeito, mas não está fechado ao diálogo. Só não conversa com o PT.
Uma família muito unida
A família Cid está intimamente ligada a Jair Bolsonaro há muito tempo. Mauro Cesar Lourena Cid, pai do faz tudo tenente-coronel Mauro Cid, preso por suspeita de fraudar os cartões de vacina de Bolsonaro, a filha dele, Laura e da mulher de Cid, Gabriela, é contemporâneo de Bolsonaro no curso de formação de oficiais do Exército e amigo próximo do ex-presidente desde então. APEX – Durante o governo Bolsonaro, os serviços diplomáticos e de imigração americanos fizeram o que puderam para que o governo brasileiro fechasse o escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações-APEX, em Miami. Os americanos não consideram a sucursal da Apex na Flórida como parte da representação diplomática do Brasil, nem como empresa ou entidade privada. A APEX, no governo Bolsonaro, abrigou vários amigos do presidente. E motivou embates entre o ex-chanceler Ernesto Araújo e o ministro da Economia Paulo Guedes. Foi aí que Bolsonaro interveio e entregou a Apex a amigos militares aposentados, entre eles Mauro César Lourena Cid, que chefiou o escritório. Em Brasília, circulam boatos, segundo os quais os órgãos de inteligência do governo suspeitava que Mauro Cid pai remetia, por intermédio do filho, dinheiro de grupos radicais americanos para financiar a militância bolsonarista.
Uma família muito unida II
A bem da verdade, a agência foi criada no governo Lula, em 2003, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, com o objetivo de promover políticas estratégicas para estimular a venda de produtos e serviços brasileiros para o exterior. É considerada de “utilidade pública” e tem direito a R$ 500 milhões por ano, repassados pela Receita Federal, a partir de taxação sobre a folha salarial das empresas. Abriga cargos bem remunerados nos escritórios dos EUA (Miami e San Francisco), China (Pequim e Xangai), União Europeia (Bruxelas), Rússia (Moscou) e Colômbia (Bogotá). Mauro Cesar Lourena Cid, o pai, dirigiu o Departamento de Educação do Exército e passou à reserva como general em 2019, sendo incorporado à APEX.
Uma família muito unida III
No dia nove de janeiro de 2019, sete dias depois de nomeado, o presidente da APEX, Alecxandro Carreiro, foi demitido no que se constituiu na primeira queda do governo Bolsonaro. O próprio ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, anunciou a indicação ao presidente Jair Bolsonaro do embaixador Mario Vilalva para substituí-lo. O chanceler afirmou que a saída foi a pedido de Carreiro. Nos bastidores da Apex, no entanto, se comentava que Carreiro demitiu sumariamente antigos funcionários para nomear aliados. Araújo justificou a decisão pela necessidade de manter a Apex com quadro técnico e uma direção de perfil moderado. Além da questão política, o agora ex-presidente da APEX não era fluente em inglês, requisito da função previsto no estatuto da agência.
Uma família muito unida IV
Durante essa primeira reestruturação da APEX, dois diretores indicados por Araújo, que tentava manter o perfil técnico da agência, foram mantidos. No entanto, na diretoria de gestão corporativa, assumiu Márcio Coimbra, ex-assessor parlamentar e estrategista político no Senado. E na diretoria de negócios, a empresária Letícia Catelani, próxima de Eduardo Bolsonaro, que desempenhou papel importante na campanha eleitoral de Bolsonaro. Desde então a APEX foi perdendo o perfil estritamente técnico e abrigando cada vez mais “amigos” do governo.
Moura Dubeux não entrega obra no prazo
A Construtora pernambucana, enrolada até a alma com suas más práticas de negócios, agora sacramentou que não vai entregar no prazo o empreendimento no antigo Salvador Praia Hotel, na Bahia. São centenas de compradores que investiram suas economias e que terão prejuízos com o empreendimento. Vale lembrar que até hoje a empresa não resolveu o problema na matrícula do imóvel, que está com bloqueio por conta da não quitação da compra do terreno com o primo dos Dubeuxs. E mais uma vez a Bahia sem atuação dos órgãos de proteção ao consumidor como PROCON. Isso vai dar pano pra manga.
Lula da direita
Eles politicamente defendem projetos antagônicos. Um é estatista. O outro liberal. Um é progressista. O outro conservador. Os opostos se assemelham. Tanto Lula quanto Bolsonaro são boquirrotos. Falam o que não devem. E nunca sabem das razões dos problemas que se metem. Nunca são os responsáveis. Fazem cara de paisagem, quando brotam os pepinos. Além disso, costumam deixar os amigos na chuva. Zé Dirceu que o diga sobre Lula. E, do lado de Bolsonaro, hoje tem uma tropa deixada ao léu. O ex-ministro Anderson Torres e o tenente-coronel Mauro Cid são os mais recentes. Até a mulher, Michelle, o Capitão é capaz de deixar na chuva, quando o bicho pega. Os extremos se encontram. O novo apelido de Bolsonaro em Brasília é Lula da direita e vice-versa.
Anderson Torres respondeu a interrogatório de maneira clara
Ao contrário do que afirmaram alguns senadores que, buscando visibilidade forma visitar na prisão o ex-ministro da Justiça e ex-secretário da Segurança Pública de Brasília, Anderson Torres, esse, ontem, no interrogatório da Polícia Federal, respondeu a todas as perguntas deixando claro não ser responsável pela atuação da Polícia Rodoviária Federal que de maneira política prejudicou a votação no Nordeste. O depoimento dele foi muito objetivo e, com isso, fica atestado que os senadores bolsonaristas que foram visitá-lo na sede da Polícia Militar de Brasília queriam visibilidade e nada mais.
CNN brilha
Ontem, a rede de TV CNN deu um show divulgando todos os áudios que comprovam que os amigos de Bolsonaro estavam preparando um golpe militar. Todos os personagens militares ligados ao ex-presidente foram citados e incentivavam que o chefe do Exército deveria dar o golpe que Bolsonaro proclamaria. Foi um trabalho excepcional da CNN que conseguiu com exclusividade os áudios dos depoimentos dos golpistas à Polícia Federal.
Nunca para
Após abrir um dos mais respeitados e disputados eventos do mercado financeiro mundial, o Milken Conference, o banqueiro André Esteves terminou a semana em grande estilo com a divulgação de mais um resultado trimestral recorde para seus sócios. Os números do primeiro trimestre de 2023 serão divulgados esta semana.
Nunca para II
Não é à toa que BTG tem deixado concorrentes como XP, Itaú BBA e Bradesco BBI a milhas de distância nos resultados. Após retornar de viagem dos Estados Unidos, o CEO e controlador do banco teve reuniões importantes com o Fundo Soberano de Cingapura, o ministro da fazenda da Colômbia, representantes da família real do Qatar e, finalmente, jantou com o presidente da Colômbia. Bem conectado, Esteves deu a volta por cima e se transformou num dos maiores banqueiros de investimentos do mundo na atualidade.
Reviravolta no Jari
Com salários atrasados, a Jari Celulose tem causado tristeza e sofrimento para uma população de cerca de 100 mil habitantes localizada na fronteira dos estados do Amapá e Pará. Para resolver a triste situação de um dos maiores projetos agrícolas do planeta, um grupo de políticos do Amapá iniciou a busca de investidores dispostos a mudar a realidade da companhia, ainda em recuperação judicial. Encontraram na Faria Lima e no Pará a solução.