O que se passou em Hiroshima mostra que terminou antes do previsto o período de graça com que os líderes dos Estados Unidos, Canadá e Europa dedicaram ao presidente Lula. Após proferir bravatas contra os Estados Unidos na sua recente viagem à China e abrir espaço na agenda para receber o chanceler da Rússia em Brasília, Lula tomou uma invertida dos europeus, que criaram pesadas exigências para fechar o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Vale lembrar que há quatro anos o acordo estava praticamente concluído, restando somente a sua aprovação pelos parlamentos nacionais. Nos Estados Unidos, até mesmo a imprensa liberal não teve dúvidas em alinhar o Brasil ao lado de China, Turquia, Índia e África do Sul no que se refere à invasão russa da Ucrânia. Quando o presidente brasileiro afirmou, no mês passado, que o fornecimento de armas pelo ocidente contribuía para prolongar a guerra na Ucrânia, a própria Casa Branca o rebateu, acusando Lula de repetir a propaganda russa e chinesa.