A entrevista do ex-presidente Jair Bolsonaro à Veja revela características de sua personalidade que lembram dois personagens das bem-humoradas crônicas do inesquecível Stanislaw Ponte Preta, heterônimo do escritor e jornalista Sérgio Porto, também autor do Febeapá – Festival de Besteiras que Assolam o País. Rosamundo das Mercês, o sobrinho de Tia Zulmira, que era completamente aéreo, cuja distração proverbial lhe deixava à mercê de tudo. E Primo Altamirando, o calhorda, que inescrupulosamente sempre arranjava um jeito de livrar a cara dele do problema e se dar bem. Ao ser questionado sobre se havia gente no entorno dele que acreditava no golpe, disse Bolsonaro Rosamundo peremptório: “Se tem alguém, ao meu conhecimento não chegou”. Quando provocado sobre as depredações do 8 de janeiro, em Brasília, ele botou todo o mundo no mesmo saco, e, no melhor estilo Primo Altamirando, lavou as mãos, classificando-os como “marginais”, mesmo que muitos daqueles estivessem pouco antes na frente de quartéis, defendendo o seu governo.