Não bastasse a autarquia pública que regula a profissão médica na Bahia ter sido cooptada pelo ideologismo de direita, o órgão classista acaba de publicar em outdoors pela cidade e no seu sítio eletrônico, http://www.cremeb.org.br, propaganda de conteúdo racista, que tem repercutido negativamente na sociedade. Nela, uma médica branca (“Dra. Lívia”) atende a um paciente negro (“Seu Caio”) numa clara demonstração de racismo estrutural. É preocupante que uma instituição que deveria defender e promover a saúde e o bem-estar de todos os cidadãos, independentemente de sua raça, esteja perpetuando práticas discriminatórias. O racismo estrutural ocorre quando alguém privilegia um grupo de certa etnia ou cor em detrimento de outro, percebido como subalterno. Esse tipo de racismo está enraizado na estrutura social e envolve discriminações de complexa resolução e nem sempre de percepção explícita. É necessário que as autoridades competentes tomem medidas para investigar e solucionar esse problema e garantir que o CREMEB cumpra sua missão de proteger e promover a saúde de todos os cidadãos, independentemente de sua raça ou etnia. Em pleno aniversário da cidade mais negra do país, espera-se que o referido Conselho remova as propagandas nos outdoors e internet e faça uma retratação pública aos negros da Bahia.