A voz dos navios negreiros

O racismo é uma doença tão cavilosa que acomete inclusive homens negros, como o senador Magno Malta (PL-ES), que encontrou no Senado um espaço perfeito para exibir seu fascismo decorado com passagens bíblicas. A bem da verdade, há muito o Senado virou um Circo de Horrores, reunindo figuras abomináveis. Malta é apenas uma delas. Resgatado nas últimas eleições, depois de uma derrota dolorosa, em 2018, para o atual líder do PT no Senado, Fabiano Contarato, Malta perpetrou barbaridades, ao se referir aos ataques racistas que sofreu o jogador brasileiro Vinícius Júnior, no último domingo; são abjetas, cruéis, criminosas. Buscava certamente repercussão, mesmo negativa (nas redes sociais tanto faz), e um espaço na mídia tradicional que, infelizmente, conseguiu. Mas menor do que planejara, “Cadê os defensores da causa animal que não defendem o macaco?”. O senador disse também que o brasileiro deveria entrar em campo com uma “leitoa branca”: “Dava um beijo nela e falava ‘olha como não tenho nada contra branco”. Esse espetáculo dantesco aconteceu numa sessão da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, na terça-feira (23), Magno Malta (PL-ES) deu a entender que considerou as reações ao caso de Vini Júnior, no mundo inteiro, exageradas. Disse que se tratava de uma “revitimização”. O parlamentar também alegou que a cobertura da imprensa brasileira sobre o caso é feita porque “dá Ibope”.

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