Igreja secular arrombada na Bahia

Há poucos dias, tanto prefeito quanto governador anunciaram medidas para aumentar a segurança pública do Centro Histórico de Salvador. Não faltaram ações midiáticas para mostrar quem estaria fazendo mais pela proteção local. O prefeito Bruno Reis anunciou a colocação de um coronel da PM para gerir o órgão municipal, responsável pelo atendimento à comunidade da região. Ainda reforçou a presença da Guarda Municipal. O governo do estado, por seu lado, aumentou o contingente policial do batalhão do Pelourinho. Nada disso impediu que a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, uma das mais antigas da primeira capital do Brasil, fosse arrombada e tivesse castiçais e vasos de prata roubados. Do sacrário, surrupiaram até hóstias consagradas em duas âmbulas. Diante da inoperância policial, à Arquidiocese da Bahia restou fazer um ato de desagravo pela profanação à Eucaristia. É de bom alvitre lembrar que o Padre Antônio Vieira proferia seus antológicos sermões do púlpito da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, que se mantém conservado e em exposição no interior do templo religioso. O que então diria ele, que não tinha papas na língua e expunha todas as mazelas de seu tempo em sermões que se tornaram peças literárias, sobre o estágio de decadência em que se vive na Bahia? Talvez a resposta esteja num famoso verso do poeta Gregório de Mattos, contemporâneo do Padre Vieira: “Triste Bahia… Oh! Quão dessemelhante”.

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