Como é difícil ser um cidadão de Florianópolis

Gilberto Gil é um brasileiro raro, um dos mais conhecidos e reverenciados no exterior. Foi capaz de, em 2003, quando ministro da Cultura, fazer a Assembleia Geral da ONU rebolar ao som de “Todo menina baiana”, com o suingue do então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, na percussão. Um momento maravilhoso que certamente não se repetirá. É Doutor Honoris Causa pela Universidade de Aveiro, uma das mais prestigiadas de Portugal. Para consumo interno é Doutor Honoris Causa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Santa Catarina e imortal da Academia Brasileira de Letras. Além de músico, compositor, cantor e escritor; ex-vereador em Salvador e ex-ministro da Cultura. No entanto, nenhum desses títulos, conquistados com talento e trabalho, foi levado em consideração pela Câmara de Vereadores de Florianópolis, que lhe negou por duas vezes o título de cidadão honorário da cidade. A segunda votação, realizada no dia 14 de março, registrou oito votos contra, seis a favor e duas abstenções. A bela cidade é bolsonarista raiz, com as exceções de sempre. Para deixar claro seus parâmetros ideológicos, uma semana depois os nobres vereadores aprovaram, em duas votações, a concessão do mesmo título ao empresário Luciano Hang.

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