“Foi bonita a festa pá”. O presidente português se atrasou, Lula parecia cansado, mas o discurso de Chico Buarque de Holanda, tão esperado durante quatro anos, fez tudo parecer perfeito. Falou sobre o pai, Sérgio Buarque de Holanda, intelectual renomado e fundador do PT. Lembrou o sangue negro, indígena e judeu que corre em suas veias numa verdadeira síntese do Brasil. E fez referência a Vinícius de Moraes, provocando uma reflexão orgulhosa: quantos países têm dois artistas tão brilhantes, talentosos e sofisticados que optaram pela música popular, trazendo para o simples o refinamento que a gente pensava que só existia no erudito. Mas não faltou o veneno, que deve temperar os discursos políticos, afinal Chico é símbolo de luta pela Democracia. Disse ele, “reconforta-me lembrar que o ex-presidente teve a rara fineza de não sujar o diploma do meu Prêmio Camões, deixando seu espaço em branco para a assinatura do nosso presidente Lula.” Poderíamos dizer muito sobre a solenidade, onde lágrimas de emoção correram à solta, mas o fecho do discurso vai ficar na nossa memória por muito tempo, “Recebo este prêmio menos como uma honra pessoal, e mais como um desagravo a tantos autores e artistas brasileiros humilhados e ofendidos nesses últimos anos de estupidez e obscurantismo”.