José Dirceu, retrato de corpo inteiro

Imperdível a longa entrevista que o ex-ministro José Dirceu concedeu ao jornalista Kennedy Alencar. Uma aula sobre o Brasil, a começar pela Economia. Criticou, com conhecimento de causa, a proposta de Banco Central Independente e a insistência em taxas de juros extorsivas, sem razão aparente, ao citar que são os governos que estão socorrendo grandes bancos falidos, como Credit Suisse. Destacou a política desenvolvimentista de Joe Biden, nos EUA, que os nossos neoliberais fingem não ver. Fora do governo e com a saúde abalada, Dirceu analisa sua trajetória e coloca entre os erros de sua carreira ter sido chefe da Casa Civil, o que lhe fez acumular inimigos de grande porte. A análise sobre a Operação Lava Jato é certeira, ao apontar os danos irreversíveis que causou à nossa Economia, além da ilegalidade de suas ações, hoje largamente reconhecidas. Sem desconhecer, no entanto, que a corrupção é um mal que precisa ser combatido, mas dentro dos marcos legais. Dirceu reconhece que cometeu erros, alguns de grande monta, mas reafirma que nunca foi corrupto, o que as devassas a que foi submetido e as absolvições que vem acumulando confirmam. É pena que um político tão brilhante e dedicado esteja, pelo menos institucionalmente, fora da ribalta política. Foi certamente, ao lado de Lula, o petista mais perseguido pelo Lawfare. Como estrategista defende um projeto nacional, que não é do PT, mas da frente democrática que se formou para combater o Bolsonarismo; é que essa frente precisa se consolidar para enfrentar a extrema-direita, que não está totalmente superada. Um raro político que aprendeu com os percalços e que, goste-se ou não dele, é uma referência política inquestionável.

Os comentários estão encerrados.

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑