Ao que tudo indica, a ficha corrida do ex-presidente autoexilado pode ganhar um novo item em breve. E agora o caso é emblemático, reunindo tudo de pior que seu governo produziu em quatro anos de devastação. Corrupção, pouco apreço às normas republicanas e comportamento irresponsável com a coisa pública. É pouco provável que a imagem de mito sobreviva ao escândalo das joias contrabandeadas para a ex-primeira-dama. Joias essas avaliadas em R$16,5 milhões. Um progresso imenso para quem começou com um cheque suspeito de R$89 mil. A atividade criminosa foi confirmada pelo governo da Arábia Saudita. Os árabes são responsáveis pelos mimos e não têm o que esconder. O “material” para não ser declarado e fugir do fisco, veio na mochila de um assessor do Ministério das Minas e Energia. Provavelmente se pensou que como era uma visita oficial, a aduana ia pegar leve. Mas a Receita Federal fez o que devia fazer e revistou todos até chegar à tal mochila. Os federais não imaginavam “uma operação” tão ingênua ou confiante. Até a direção da Receita Federal foi acionada para liberar as joias, mas os funcionários (concursados e estáveis) bateram o pé. Há duas opções para liberar a muamba. Pagar o imposto de entrada, em torno de R$12 milhões, ou declarar como presente entre governos, o que transfere a propriedade para o estado brasileiro. Algo impensável para quem foi gestado no baixo clero do Congresso.