A política também se faz com símbolos e gestos; que muitas vezes são tão importantes quanto ações concretas. Muito além de um “bate-boca” com o ex-presidente Bolsonaro, Lula mostra que vivemos outros tempos, ao conceder uma entrevista coletiva ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos mais fiéis aliados do ex-presidente, e o prefeito do município de São Sebastião, Felipe Augusto (PSDB), a cidade mais atingida pela tragédia que se abateu sobre o litoral norte de São Paulo. Ainda está viva na memória dos baianos a imagem de Bolsonaro andando de jet ski, enquanto no sul da Bahia vários municípios contavam desabrigados, mortos e feridos após enchentes tão violentas como as que abalaram São Paulo. Além do mais, não gastou uma única palavra do seu parco vocabulário para se solidarizar com os baianos. Embora não se possa provar, não é absurdo pensar que Bolsonaro, com sua estreita visão política, enxergou antes de tudo um estado que já contabilizava o quarto governo petista em sequência. O eleitorado não esqueceu e quem pagou o pato foi ACM Neto, aliado envergonhado de Bolsonaro. Em outubro passado, a Bahia elegeu um então desconhecido, Jerônimo Rodrigues. A ACM Neto, que desde a desistência de Jaques Wagner, dava como “favas contadas” a vitória, coube uma derrota acachapante. Esperto, o neto do “Cabeça Branca” percebeu o perigo e tentou se desvencilhar de Bolsonaro durante a campanha. Mas acabou vítima do temporal de insensibilidade de Bolsonaro.