Ninguém pode fazer menos da dor do outro. Mas é um espanto ouvir Damares reclamar que estão fazendo bullying com a filha dela, chamando a mãe de assassina de indígenas. Ninguém pode culpar os filhos pelos erros dos pais. Ao mesmo tempo, é impossível não fazer a conexão de como a filha da senadora foi tirada dos pais por uma missionária, sem autorização de nenhum familiar, dizendo que a criança de seis anos — isso mesmo, seis anos — iria tratar os dentes em Brasília, e nunca mais voltou a viver com a família. A criança, hoje com 16 anos, é uma menina indígena da etnia kamayurá que vivia dentro do Parque Nacional do Xingu. Damares pensou na dor da família que teve a filha arrancada dos braços da família? Até hoje a adoção não foi concretizada, por recusa da família biológica.