Em tempos de filhos presidenciais espetaculosos e metidos em todo tipo de “tenebrosas transações”, uma lembrança que mostra que até mesmo na ditadura civil militar houve algum pudor. Notas de pé de páginas informaram sobre a morte de Amália Lucy Geisel, no dia 17 de dezembro de 2022, aos 78 anos. Amália era filha de Ernesto Geisel, quarto dos cinco ditadores (1964-1985), todos generais; que começaram o caos que vivemos hoje e que alguns siderados querem de volta. Amália era a discrição em pessoa. Não frequentava lugares da moda, não dava entrevistas e evitava ser fotografada. Formada em História, dizem “as más línguas” que tinha até amigos de esquerda. Com a posse do pai, em 1974, deixou o emprego público que tinha e praticamente se exilou durante cinco anos. Em 1974, Chico Buarque lançou “Jorge Maravilha”, assinada por Julinho da Adelaide, pseudônimo que usava para enganar os censores. Um dos versos dizia “você não gosta de mim, mas a sua filha gosta”. A referência era clara, em se tratado de Chico; mas Amália, num dos raríssimos contatos com a Imprensa, disse que não gostava do compositor, embora todos os indícios apontassem o contrário. Chico, elegantemente, disse que o verso não se referia à filha do presidente. Pode ser verdade? Sim. Mas ninguém acreditou.