É inacreditável o ciclo de ignorância, mediocridade, incompetência, falta de ética e de elegância que o país viveu nos últimos quatro anos. Sendo assim, não poderia ter acabado de forma mais emblemática. O filho 02 do ex-presidente foragido, seu porta-voz e estrategista político, xinga da forma mais grosseira o vice-presidente, general Hamilton Mourão, que, com seu pronunciamento, na noite do dia 31 de dezembro, produziu um dos poucos momentos de lucidez deste triste período. Em tempos normais seria uma fala pobre e desidratada pela visão estreita, extremista e muitas vezes delirante de um neófito na política, que soube surfar na onda de reacionarismo que engolfou o país. Mesmo assim, seu discurso tem virtudes: reconhece a derrota, defende a alternância do poder e sugere que as patéticas manifestações que pedem um golpe militar sejam desmobilizadas. O único vereador carioca a morar em Brasília fez, de acordo com o seu grau de informação e nível intelectual, uma crítica, chamou Mourão de bosta. Nenhuma surpresa. O pai ex-presidente, além de tropeçar na gramática, espalha palavrões por onde passa. E sejamos honestos, a única palavra capaz de definir seus 1460 dias de governo é impublicável. Pelo menos começamos 2023 com a certeza de que os excrementos ficaram para trás.