Parece que Marina Silva não entendeu a amplitude e a capacidade de articulação internacional que lhe foi oferecida pelo presidente eleito, com a criação da Autoridade Climática. Um cargo que poderia transformar-se na joia da coroa devido à importância que a questão climática assumiu nos foros internacionais. Marina poderia ser para o Brasil o que Michelle Bachelet representa hoje para o Chile, sem ter sentado na cadeira presidencial. A função não existe e ela iria inventar e dar corpo. Mas Marina enxergou apenas um cargo técnico e focou nas eleições de 2026. Ok. Nada contra. Mas perdeu uma grande oportunidade. Já Simone Tebet se mostrou mais habilidosa e estratégica. Num momento de reconstrução, sabe que seus 4,16% dos votos na eleição presidencial são mais do que números. Com forte apoio da mídia, consolida uma faixa de eleitores de centro-esquerda e também órfãos de Ciro Gomes. Nada mal para quem até há bem pouco tempo era uma liderança regional. Nesse jogo de xadrez, que é um governo de frente ampla, Simone demonstrou a sagacidade que já tinha exibido na CPI da Covid-19, quando roubou os holofotes e pavimentou a candidatura presidencial de um partido sem perspectivas naquele momento.