A hora é essa

Estamos naturalizando um movimento reacionário, violento, preconceituoso e racista. Os últimos quatro anos nos mostraram onde podemos chegar. As piadas são boas com adoradores de pneus e militares frustrados marchando na chuva, mas é aí que mora o perigo. Não tem graça nenhuma. Estamos diante de golpistas que não se envergonham de pedir pela volta da ditadura. O tratamento conivente das autoridades, que deveriam combatê-los, alimenta essa insensatez. Qualquer semelhança com a Alemanha dos anos 1930 não é pura coincidência. Foi a partir do fim dos anos 1920 que os alemães, feridos pela derrota na Primeira Guerra Mundial e suas consequências, viram uma sólida economia desandar. Um homem complexado, medíocre e ressentido, mas determinado e carismático, conseguiu com seu discurso de ódio mobilizar grande parte do povo para a reconstrução da Grande Alemanha. As estradas bloqueadas, as agressões ao cantor e compositor Gilberto Gil e a chacina ocorrida no Espírito Santo, com a morte de professores e crianças indefesas, mostram que é preciso um basta da sociedade, até mesmo para que o candidato derrotado e um partido que reúne o que de pior tem a política brasileira (com raríssimas exceções) aceitem a derrota numa eleição limpa e inquestionável, na qual quem jogou sujo foram instituições que deveria velar pelo Estado Democrático de Direito, com destaque para aparelhada Polícia Rodoviária Federal. Já passou da hora da sociedade brasileira reagir e de instituições como as Forças Armadas deixarem a sombra da ambiguidade e assumirem de que lado estão no jogo.

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