Mal tinha acabado a contagem dos votos do segundo turno e várias emissoras e redes de TV, alinhadas ideologicamente ao atual governo, receberam a notícia que tanto temiam: os recursos fartos para a manutenção de programas de entretenimento e jornalísticos que batiam abaixo da linha da cintura em Lula e STF acabariam junto com o governo. O pânico foi geral, com tensas discussões, cobranças de fidelidade, solidariedade e até ameaças. São Paulo foi a praça mais atingida. Augusto Nunes e Guilherme Fiúza foram os primeiros da lista. Ana Paula Henkel, que compunha com os dois a bancada do lastimável “Pingos nos Is”, se demitiu em solidariedade a Augusto Nunes. Na boiada de demissões foram também estrelas da nova extrema-direita, Caio Copolla, Carla Cecato que apresentou os programas eleitorais de Bolsonaro; e Cristina Graeml, que fez nas redes sociais uma “emocionada” defesa da Liberdade de Expressão e do direito dos comentaristas utilizarem “palavras fortes” para definir políticos de outros campos ideológicos. Esqueceu-se apenas de que não existe almoço grátis. A Jovem Pan foi a primeira a reagir à seca anunciada, o que não quer dizer que outras redes de TV não estejam preocupadas. Aliás, seja feita justiça, a Rede Globo foi a única que não se locupletou com a farra das verbas públicas, muito pelo contrário, pagou um preço alto por enfrentar o presidente. Sendo assim não é necessário dizer os nomes dos insones. Até os discursos, antes virulentos de alguns executivos, já ganharam surpreendente leveza em relação ao novo governo.