Trinta e nove quilos de cocaína num avião de uma comitiva presidencial seria escândalo com direito a investigações, processos, renúncias, delações, prisões e até suicídio; aí está o Japão, onde por muitos menos já houve atos desesperados de autoridades surpreendidas em atitudes menos republicanas. Aqui, caiu num remanso calmo e conivente de todos os poderes da República, inclusive o quarto; que depois de alguns dias de notas delicadas e parcimoniosas engavetou a notícia. Suíte nem pensar. Investigação, menos ainda. Agora, gasta-se a tinta e o papel economizados no terrível episódio, que terminou com o muito conveniente silêncio do sargento, pego com a “boca na botija”, para insinuar relações perigosas do presidente eleito por causa de uma carona de jatinho. Esse é mais um sinal de que o “amor acabou”, passado o perigo maior. Nada mais humano. E os canhões já estão municiados contra o governo que, a rigor, nem começou. O problema é que depois da nulidade dos últimos quatro anos temos um líder. Pode-se até não gostar, mas age como líder e assume responsabilidades de líder. O nervosismo do mercado, levado à condição de manchete principal; as indiretas para ex-ministros como Guido Mantega e até o lugar que deve ocupar a mulher do presidente eleito. Foi bom enquanto durou.